Congresso faz lobby contra armas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de outubro de 1997
Agência Estado Brasília 
A uma semana da chegada ao Brasil do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, o Congresso começa uma articulação para evitar que o governo compre armamentos sofisticados. Por iniciativa do secretário-geral da Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul, deputado Paulo Bornhausen (PFL-SC), parlamentares de todos os partidos estão apoiando um abaixo-assinado que será entregue ao presidente Fernando Henrique Cardoso na sexta-feira, às vésperas do desembarque de Clinton.
O documento pede a Fernando Henrique que se abstenha de adquirir armas de elevado grau de sofisticação, e ainda sugere que faça gestões junto aos governos dos demais países da América do Sul para evitar a introdução de armas sofisticadas em nosso continente. Decidimos nos antecipar a qualquer eventual conversa entre os dois presidentes sobre armamentos, justificou o deputado Bornhausen.
Paulo Bornhausen explica que o alvo da iniciativa são os discursos do presidente norte-americano liberando a venda de armas para países como a Argentina e o Chile com o argumento de que a democracia e a paz prosperam no continente. Este assunto tem gerado inquietação e está na pauta do Mercosul porque todo o trabalho de integração está fundamentado na paz desarmada, argumenta o deputado.
O texto do abaixo-assinado diz que o verdadeiro desafio que o governo enfrenta hoje dispensa o uso de armas, pois resume-se à guerra contra as injustiças sociais. Nossos países necessitam, sim, da promoção do desenvolvimento econômico e social, diz o documento, que se encerra com o objetivo expresso da articulação: Deixar clara a posição do Congresso brasileiro contra a aquisição de armamentos sofisticados para que o Sr. presidente, se pressionado pelos grandes vendedores mundiais de armas, conte com o necessário apoio para posicionar-se contrariamente.
A idéia é conseguir a assinatura do maior número de parlamentares dos mais variados partidos. Ontem, primeiro dia da coleta, Paulo Bornhausen conseguiu o apoio de Chico Vigilante (PT-DF) e de Severino Cavalcanti (PPB-PE). No Senado, quem vai se encarregar de recolher as assinaturas é o tucano Lúdio Coelho (MS), que também participa da Comissão Parlamentar do Mercosul.
Thomas McLarty, assessor para Assuntos das Américas do presidente americano, Bill Clinton, disse ontem que a criação e desenvolvimento de grupos econômicos regionais, como o Mercosul, podem ser produtivas, desde que não atrapalhem a constituição da Associação de Livre Comércio das Américas (Alca). Estes grupos devem facilitar a constituição da Alca e não dificultar, disse o conselheiro da Casa Branca. Para ele, eventuais barreiras criadas por estes blocos poderiam prejudicar a formação da Alca.


