Um Parlamento ‘‘politiqueiro’’ e partidos que não querem reformas. As palavras são do presidente Fernando Henrique Cardoso no livro ‘‘O Mundo em Português, um diálogo’’, que será lançado por ele e pelo ex-presidente de Portugal Mário Soares no próximo sábado no Rio. Fernando Henrique admite o conflito entre ‘‘manobrar e não manobrar o Congresso’’ e elogia o PFL pelo fato de nunca ter feito oposição ao seu projeto político. ‘‘O PFL estava me procurando, foi aliás me procurar antes mesmo do PSDB - eu era ministro da Fazenda - para ver se seria candidato (à presidência da República)’’.
Editado pela Paz e Terra, o livro, que teve sua publicação adiada para a revisão de trechos polêmicos, apresenta um presidente incomodado com alguns adversários. Fernando Henrique não poupa setores da Igreja Católica, o escritor José Saramago e o compositor Chico Buarque, a quem se refere como um artista que quer ser crítico, mas acaba sendo mais convencional.
FHC expôs tão abertamente suas idéias, numa conversa de quase 20 horas com Mário Soares em abril, que o livro passou a ser um incômodo para o presidente-candidato.

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