Congresso e governadores reclamam de ajuste fiscal de Dilma
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quarta-feira, 20 de maio de 2015
Ricardo Brito e Bernardo Caram<br>Agência Estado 
Brasília - Em reunião promovida pelo presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), congressistas e governadores fizeram críticas ontem ao ajuste fiscal do governo Dilma Rousseff e propuseram a adoção de uma agenda legislativa paralela à do Executivo federal para retomar investimentos e desenvolver os Estados no momento de crise econômica.
Durante o encontro, a gestão da petista foi alvo de uma série de queixas e nenhuma defesa contundente, mesmo de correligionários presentes, como o governador do Piauí, Wellington Dias, que, no primeiro mandato Dilma, chegou a ser líder do PT no Senado.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), reclamou da paralisia de obras de parcerias público-privadas, que pressupõem contrapartida financeira da União. "O governo se propunha a fazer PPPs e na realidade está tudo parado, contratos já assinados", disse, citando investimentos em linhas de metrô e todos os projetos de PPPs de hospitais. "Não andou nada desde janeiro, já estamos chegando no meio do ano", afirmou.
Falando em nome dos gestores do Nordeste, o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSB), afirmou que o ajuste comandado pela petista não pode paralisar as obras públicas no País. Ele disse que a região passa há quatro anos por uma crise hídrica, sendo necessários recursos para viabilizar obras que estão em curso nos estados.
Por sua vez, o governador do Mato Grosso, Pedro Traques (PDT), defendeu que os chefes dos Executivos estaduais sejam ouvidos na condução do ajuste da petista e que o governo federal informe onde serão feitos os cortes. "Precisamos desse ajuste sim, mas os estados, muitos deles, fizeram a sua parte. A União não fez a parte dela e sobra para os estados", afirmou.
Na visão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a intenção de priorizar o cumprimento da meta de superavit primário é discutível. Para ele, é possível avançar em demandas dos governos estaduais sem comprometer a disponibilidade de recursos da União.
Anfitrião do encontro, o presidente do Congresso disse que o ajuste fiscal promovido pelos estados é muito mais efetivo do que o da administração federal, classificado por ele como meramente trabalhista e previdenciário. Para Renan, os governadores também querem "qualificar" o ajuste do governo federal.


