O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou ontem em Londrina que o governo federal somente irá determinar que a Polícia Federal (PF) investigue a denúncia do ''mensalão'' se o Congresso Nacional pedir. O ministro participou ontem na cidade do painel de debates promovido pelo Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), sobre os Riscos e Oportunidades do Cenário Econômico 2005/2006 (leia na Folha Economia).
Na avaliação do ministro, as denúncias feitas pelo deputado Roberto Jefferson (PTB), de que o PT pagava uma mesada de R$ 30 mil a deputados da base aliada, deve ser investigada pelo Congresso. ''Fui deputado até março e nunca ouvi falar neste assunto. Temos um depoimento na terça-feira do deputado Roberto Jefferson (PTB), que é autor da denúncia e evidentemente, se ele sustentar o que está dizendo, acredito que o Congresso vai se encarregar de fazer a investigação, porque a Polícia Federal só vai tomar providências em relação a isso se for requerida pelo Congresso'', afirmou.
O ministro ainda ressaltou todas as providências tomadas pelo governo federal sobre as denúncias de irregularidades. ''Nestes dois anos e meio, a Polícia Federal já realizou praticamente 100 operações e prendeu perto de 900 pessoas. No caso dos Correios, em menos de duas semanas já prendeu quatro pessoas. Portanto, não temos nenhum interesse em acobertar.''
O ministro ainda negou as afirmações de que o governo teria liberado emendas parlamentares para acalmar situação e oposição frente às denúncias. ''Quando começaram a falar que houve liberação de emendas, fui verificar e de todas as emendas parlamentares, até abril, havíamos liberado R$ 11 milhões. Portanto há uma reclamação. Fui na Comissão Mista de Orçamento esta semana e recebi uma saraivada de críticas e reclamações dos parlamentares da situação e da oposição de que não estamos liberando recursos'', ressaltou.
Para Paulo Bernardo, as denúncias de corrupção no governo não deverão refletir nas eleições de 2006. ''O presidente pode ser reeleito, pode não ser, mas em função do desempenho do governo e da visão que as pessoas tiverem do presidente, do candidato. Acho que não temos que ficar nervosos com crise política. Isso é absolutamente normal'', disse.
No entanto, o ministro evitou o confronto com cerca de 30 manifestantes que se aglomeraram em frente ao Hotel Crystal, entrando pelo estacionamento. Munidos de faixas e de um mega-fone, os manifestantes ligados ao Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv) e associações de bairros cobravam explicações sobre o mensalão e denúncias de corrupção no governo petista. ''Essas ações demonstram que se o presidente Lula pretende realmente apurar a fundo todas as denúncias de irregularidades no alto escalão, queremos informar o presidente para que ele tome conhecimento desse passado que estamos questionando hoje'', disse o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, sobre uma ação de autoria do Ministério Público (MP) em que o então deputado foi citado por irregularidades. O ministro obteve na Justiça o direito de ser excluído do rol de réus. O MP está recorrendo da decisão. ''Protesto pago não vale'', rebateu Paulo Bernardo.
Em entrevista coletiva concedida no início da noite, o ministro ainda afirmou que o governo não tem ''intenção'' de conceder reajuste aos servidores do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), que paralisaram as atividades esta semana. ''Temos uma negociação como INSS feita em 2003 onde reconhecemos uma perda salarial de 47%, fizemos o reconhecimento e estamos pagando em quatro parcelas. Além disso, temos categorias de servidores que também estão demandando e que não tiveram ainda possibilidade de conseguir esse reajuste'', concluiu.

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