Congresso derruba veto, e fundão eleitoral pode atingir R$ 5,7 bilhões
Com a derrubada do veto, o fundo de financiamento da campanha de 2022 será o maior da história. O fundão foi criado em 2017 e, até então, ficou em torno de R$ 2 bilhões nos anos eleitorais
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2021
Com a derrubada do veto, o fundo de financiamento da campanha de 2022 será o maior da história. O fundão foi criado em 2017 e, até então, ficou em torno de R$ 2 bilhões nos anos eleitorais
Thiago Resenda, Danielle Brant e Renato Machado/ Folhapress 
Brasília, DF - Com apoio do PL e partidos aliados ao presidente Jair Bolsonaro (PL), o Congresso Nacional derrubou nesta sexta-feira (17) o veto ao fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões no próximo ano.
O valor do fundo eleitoral constava do texto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), projeto que cria as regras e diretrizes para a elaboração do orçamento, que recebeu diversos vetos de Bolsonaro.
O veto foi derrubado na Câmara com o voto de 317 deputados federais, contra 146 contrários. Eram necessários 257 votos. A votação uniu governistas, independentes e oposição.
Horas mais tarde, os senadores também derrubaram o veto presidencial e restabeleceram o fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões, por 53 votos contra 21. Eram necessários 41 votos.
O item que trata do valor do fundão eleitoral foi analisado numa votação separada durante a sessão do Congresso. A grande margem de votos foi resultado de uma grande articulação dos parlamentares, que envolveu os partidos da base do governo, incluindo o PL, nova legenda de Jair Bolsonaro, além de parte da oposição.
Com a derrubada do veto, o fundo de financiamento da campanha de 2022 será o maior da história. O fundão foi criado em 2017 e, até então, ficou em torno de R$ 2 bilhões nos anos eleitorais.
O governo evitava oficialmente apoiar a derrubada do veto, mas as lideranças no Congresso decidiram liberar a bancada para votarem, em um claro sinal em favor do fundão.
"Entendendo que essa será uma decisão pessoal, partidária de cada parlamentar que estará em ano eleitoral no próximo ano, e nós deixaremos, então, a posição em aberto, por essa consequência. Há uma informação partidária sobre esse veto especificamente", afirmou o líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO)
O presidente, que pretende concorrer à reeleição em 2022, se beneficia da derrubada do próprio veto. Bolsonaro se filiou ao PL, partido que integra o centrão e ocupou a 8ª colocação no ranking das siglas que mais receberam dinheiro na campanha de 2018.
O líder do PL, deputado Wellington Roberto (PL-PB), orientou o voto pela derrubada do veto durante a sessão. "Todos sabemos que não fazemos eleição sem recursos", disse o líder.
Na Câmara, apenas quatro partidos orientaram formalmente contra o aumento do fundão eleitoral: PSL, Podemos, Novo e PSOL. Também houve votos do Cidadania e de alguns deputados do PSD a favor do veto de Bolsonaro. O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) foi contrário à expansão.
No Senado, Podemos, Cidadania e Rede tentaram barrar a ampliação dos recursos para o fundo. O PSDB não se posicionou. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) votou contra a indicação do partido e se posicionou contra o valor de R$ 5,7 bilhões.
Partidos que lideram as pesquisas eleitorais de 2022 fizeram parte do movimento para derrubar o veto de Bolsonaro e, assim, garantir mais verba para a campanha.
É o caso de PT e PSB, que costuram aliança para a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Aliados de Bolsonaro, PL, PP e Republicanos também votaram a favor do fundão turbinado.


