Congresso de jornalismo debate universo digital
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sexta-feira, 29 de junho de 2018
Vitor Struck<br>Reportagem Local 

São Paulo - Formar a grade de cursos, oficinas e painéis nunca é uma tarefa fácil, conta o jornalista Guilherme Amado, membro da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo). "O que nós tentamos fazer é sempre compensar no ano seguinte", brinca. Neste ano a associação de profissionais focou em como tornar o ambiente de trabalho dos jornalistas mais diversificado e colaborativo para atrair estudantes, professores e jornalistas na 13ª edição do evento, realizado na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.
"O tamanho dos desafios que nós temos é tão grande que se não houver um ambiente mais saudável, mais colaborativo e que se compita quando faz sentido, não vamos conseguir atravessar esta mudança do analógico para o digital fazendo jornalismo de qualidade. Os diferentes atores da indústria, os grandes e os pequenos, as startups, os veículos mais antigos, os jornalistas de diferentes editorias, designers, fotógrafos, precisam colaborar melhor", afirma.
Temas como planejar um produto jornalístico usando conceitos de "design thinking" e histórias de jornalistas que deixaram as redações para empreender não faltaram. Quem não deixou para a última hora conseguiu uma vaga nos cursos introdutórios das plataformas "R" e "Python", muito conhecidas dos programadores e profissionais de T.I. (Tecnologia da Informação) e nada amigáveis a quem até poucos anos tinha como principais preocupações técnicas de entrevistas, apuração de dados e texto atraente. Além das ferramentas como o CroudTangle, que mede a audiência na internet, e o uso de aplicativos de mensagens instantâneas na identificação de boas pautas. E não faltaram interessados em apreender como investigar dados em sites e plataformas públicas.
A identificação das "Fake News", termo que nasceu na web e define toda a mentira, fofoca ou "meia verdade" ventilada no meio digital e assimilada socialmente, também não ficou de fora da programação. Assunto para os jornalistas Cristina Tardáguila e Douglas Silveira, da Lupa, primeira e principal agência de checagem de informações do País.
"Vivemos num momento de muitas verdades, então as pessoas precisam deixar de lado seus gostos, desejos e crenças todas as vezes que recebem alguma informação e não podemos deixar que a dúvida se instale", afirma.
HOMENAGEM
A edição deste ano vai ficar marcada na memória do jornalista Zuenir Ventura, o homenageado da vez. Autor de "1968, o ano que não terminou", filho de um pintor de paredes, Ventura relembrou um pouco da própria trajetória nas palavras de colegas de redação e amigos, exibida em um documentário produzido pela Associação. Aos 87 anos, mais de 50 dedicados à profissão que considera como "artesanato", Ventura diz que nunca havia ficado tão nervoso.
Questionado sobre a edição do ano que vem, Guilherme Amado, da Abraji, lembra que é parecido com as escolas de samba no carnaval, "na semana seguinte já começa a do ano que vem". "Por exemplo, este ano, por ter sido no meio da Copa e teve que ser porque em seguida vêm as eleições , sabemos que pro ano que vem vamos ter que ter algo de jornalismo esportivo legal. Jornalismo esportivo investigativo é uma coisa que a Abraji durante vários anos sempre prestigiou. Trouxemos o Andrew Jannes, que fez uma investigação importante sobre os escândalos de corrupção da Fifa", lembra.


