Congressistas defendem doações
Brasília - A maioria dos políticos que integram a lista dos que mais receberam doações das empresas investigadas pela Polícia Federal ressaltaram que os repasses foram legais e que não havia até então suspeitas contra as companhias. Os três deputados do PP do Paraná deram respostas similares: que o recurso foi definido pela direção nacional do partido e que não houve nenhum contato deles com as empresas.
O senador eleito Otto Alencar (PSD-BA) afirmou que é amigo de dirigentes das três empreiteiras que lhe direcionaram doações, todas da Bahia, e defendeu amplo direito de defesa a elas. Mas ressaltou que não tem compromisso com eventuais erros de seus diretores. O deputado Lucio Vieira Lima disse que as doações que recebeu não têm nenhuma influência em sua atuação na CPI da Petrobras e que nenhum de seus doadores pediu nada em troca nem teve abertura para isso.
O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) afirmou, via assessoria, que procurou diretamente a UTC porque ele é egresso da indústria naval e a empresa atua na área. Carlos Zaratinni (PT-SP) afirmou que pediu pessoalmente as doações à OAS e à UTC e que não há reflexo no mandato. A senadora Kátia Abreu (PSD-TO) não retornou ao contato. A reportagem não conseguiu falar com Paulo Rocha (PT-PA). O senador eleito Ronaldo Caiado (DEM-GO) afirmou que procurou essas e outras mais de 50 empresas "conforme permite a lei eleitoral".
O deputado Alberto Fraga (DEM-DF) disse que foi procurado pela direção da UTC, que ofereceu as doações, mas que não conhece os investigados e que não sabia de suspeitas contra as empresas na época. Alexandre Leite disse que as doações foram definidas pelas direções municipal, estadual e nacional do DEM. O deputado eleito José Carlos Aleluia (DEM-BA) afirmou que conhece alguns dos empresários acusados e que percebeu "o constrangimento deles e de outros com a regra que passou a imperar" nas gestões do PT. "Nenhuma empresa trabalha na Petrobras sem propina." A assessoria de Anastasia afirmou que ele está em viagem e está incomunicável. A de José Serra não respondeu ao contato da reportagem. (A.E.)





