Brasília - A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Congresso para apurar a evasão de US$ 30 bilhões do Brasil para paraísos fiscais entre 1996 e 2002 foi instalada ontem, com resistências do PT ao nome do senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) para presidi-la. Com isso, ficou para a próxima quarta-feira a eleição do presidente e a formalização do relator, que será o deputado José Mentor (PT-SP).
''Essa CPI será, sem dúvida, foco de muita tensão'', previu ontem o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
O governo está preocupado com implicações políticas - já que a investigação, pelo que já foi apurado pela Polícia Federal, deverá envolver nomes de vários partidos e com isso, na avaliação do Planalto, pode paralisar o Congresso no ano da votação das reformas constitucionais.
O requerimento propondo a CPI mista foi negociado detalhadamente entre os líderes. O texto final restringe a investigação às remessas de recursos identificadas pela PF na chamada Operação Macuco.
No foco do levantamento estão as transações intermediadas por contas CC-5 (de brasileiros não-residentes no país), em bancos de Foz do Iguaçu, pelas quais dinheiro de origem suspeita foi enviado para a agência do Banestado (Banco do Estado do Paraná) em Nova York.
O principal veto ao nome de Barros partiu da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), autora do primeiro requerimento propondo a criação de uma CPI para investigar as denúncias de irregularidades nas remessas via agência do Banestado em Foz do Iguaçu (PR).
Por pressão do PT, Salvatti acabou não dando andamento à iniciativa, embora tivesse o número suficiente de assinaturas (27 no mínimo), motivando Barros a colher novas assinaturas e a apresentar seu próprio requerimento.
No entanto, os líderes partidários do Senado e o presidente da Casa enterraram a CPI, sob o argumento de que a PF e o Ministério Público estavam investigando o caso com eficiência.
Dias depois, com a decisão do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), de instalar naquela Casa uma CPI com os mesmos propósitos, os senadores se articularam para participar. A comissão foi transformada em mista. Pelo acordo entre os partidos, a presidência caberá ao bloco da oposição no Senado (PFL-PSDB) e o cargo de relator ao PT da Câmara.

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