Muita confusão e um esquema rígido de segurança marcaram ontem a visita do presidente do Líbano, Elias Hraoui, a Foz do Iguaçu. A Polícia Federal designou mais de 30 agentes para fazer a segurança da comitiva. Além disso, o
Ney de Souza/Folha de LondrinaAmizadePresidente libanês Hraoui acena ao descer do avião em Foz: visita às cataratas e encontro com LernerMinistério das Relações Exteriores montou um esquema paralelo, cujo número de homens não foi revelado. Na entrada do aeroporto, jornalistas e convidados passavam por detectores de metais, aparelhos que denunciam a existência de armas.
A rigidez da segurança não impediu desentendimentos entre integrantes da comitiva que acompanha o presidente e membros da comunidade árabe da fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. O coordenador de imprensa da visita a Foz, o empresário Reda Soneid, de Foz do Iguaçu, chegou a discutir com o embaixador libanês em Brasília, Gazi Chidiac.
O motivo do desentendimento foi uma entrevista coletiva que Hraoui deveria conceder à imprensa. Marcada por Soneid, a entrevista foi cancelada pelo embaixador. ‘‘Houve erro na organização da visita. O embaixador não respeitou o que estava acertado’’, reclamou Soneid. A entrevista acabou não sendo realizada.
Elias Hraoui (pronuncia-se ‘‘El Reu풒) desembarcou no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu às 11h30 de ontem, 40 minutos após o previsto.
Hraoui foi recebido pelo governador Jaime Lerner e o presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (ambos do PFL). Um coral formado por cerca de 300 alunos das três escolas árabes da fronteira cantou o hino libanês. A comunidade árabe da região é uma das principais da América do Sul, composta por mais de 5.000 pessoas - 90% das quais descendentes de libaneses. O Brasil é o país no exterior que mais abriga libaneses - entre 8 milhões e 10 milhões de imigrantes e descendentes.
Depois da chegada, a comitiva seguiu para o Hotel das Cataratas, no Parque Nacional do Iguaçu, onde fica hospedada até as 10h quando embarca para Fortaleza, última etapa da viagem oficial ao Brasil. No final da tarde, o presidente libanês deveria visitar as Cataratas do Iguaçu. A visita foi iniciada no último dia 1º e incluiu Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.
Em encontro reservado com o presidente libanês, lideranças da comunidade árabe da fronteira cobraram de Elias Hraoui mais rigor na exigência para que Israel se retire da ‘‘Franja de Segurança’’, uma área ocupada ao sul do país.
‘‘Exigimos que Israel cumpra as Resoluções 425 e 442 da ONU (Organização das Nações Unidas)’, disse à Folha o empresário Hussein Teiyen, presidente da Câmara de Comércio de Ciudad del Este (Paraguai). A Resolução 425 exige que Israel se retire da ‘‘Franja de Segurança’’ libanesa e a 442, faz a mesma exigência em relação aos demais territórios árabes ocupados.
Além do encontro com lideranças árabes da região, o presidente libanês se reuniu reservadamente com o governador Jaime Lerner. Segundo o ministro das Relações Exteriores do Líbano, Fares Buaiz, os dois debateram o ‘‘estreitamento’’ das relações entre os dois países.
Buaiz disse que o principal resultado da visita do presidente ao Brasil foi o início das discussões para a criação de uma zona de livre comércio dos produtos brasileiros no Líbano.

mockup