Confusão fecha prefeitura de Uraí
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de agosto de 2003
Giovana Kindlein<BR>Reportagem Local 
Uraí O presidente da Comissão Processante de Inquérito (CPI) da Câmara de Vereadores de Uraí, município com 11 mil habitantes a 26 km de Cornélio Procópio, vereador Donizete Ruiz Pinha (PSL), disse que vai protocolar hoje no Ministério Público de Uraí, o pedido de afastamento da prefeita Iracélis da Fonseca Borghi (PDT) para ter acesso aos documentos contábeis do Executivo e concluir os trabalhos da CPI. ''Fomos impedidos hoje (ontem) de copiar empenhos que comprometem a prefeita'', afirmou Pinha.
Em contrapartida, o advogado da prefeita, Alexandre Hauly Camargo, disse que vai pedir a prisão preventiva do vereador por flagrante de invasão e usurpação de documentos públicos. ''Ele invadiu a prefeitura e não tinha ordem judicial para isso'', argumentou Camargo, citado pelo vereador como o recebedor de pagamento dos cofres públicos por serviço particular da prefeita. O advogado negou que o pagamento dos seus serviços tenha saído dos cofres públicos. ''É mentira. Imagino que esta acusação deva ser uma retaliação pela surra jurídica por eu ter paralisado a comissão processante anterior. Acho que é voto de vingança'', reagiu Camargo. Segundo o advogado, a prefeitura vai ficar fechada nos próximos três dias para a Polícia Técnica fazer perícia. ''O local foi lacrado'', informou.
De acordo com o presidente da CPI, Pinha havia notificado a prefeita de que iria na manhã de ontem olhar a documentação na contabilidade e, para isso, levou reforço policial. Disse que somente teve acesso aos empenhos após dar voz de prisão ao funcionário responsável do setor. ''Tive que dar voz de prisão para continuar a investigação'', declarou o vereador. O funcionário permitiu a averiguação, mas em seguida, o vereador foi impedido novamente pelo vereador Osni Borghi, marido da prefeita.
Por outro lado, o desembargador Nério Spessato Ferreira, do Tribunal de Justiça (TJ), acatou o agravo de instrumento do Legislativo, que pedia a revogação do mandado de segurança impetrado pelo advogado da prefeita, Alexandre Hauly Camargo. Entretanto, a CPI tem o compromisso de apresentar documentação sobre o caso em 10 dias. O vereador Osni Borghi, marido da prefeita, foi procurado pela Folha ontem à noite, mas não foi encontrado.


