Uma confusão ontem no gabinete da presidência da Câmara de Vereadores de Cornélio Procópio (60 km ao norte de Londrina), envolvendo o presidente da Casa, Fernando Peppes (PMDB) e o ex-presidente e ex-assessor jurídico da Câmara, Amin Hannouche (PSDB), acabou com o registro de dois boletins de ocorrência na delegacia local.
Conforme a versão de Peppes, ele teria sido agredido fisicamente por Kalil Hannouche, irmão de Amin. ''Hoje (ontem) de manhã, ele (Amin) veio junto com o irmão, Kalil Hannouche, me pressionar para nomeá-lo para um cargo de assessoria. Como sou do PMDB e ele do PSDB, informei que estava sendo questionado pelos companheiros de partido sobre a nomeação, porque ele vai ser o futuro candidato adversário da nossa coligação à prefeitura'', relatou Peppes.
''Ele (Amin) queria que eu fizesse uma votação entre os vereadores para colocá-lo como assessor. Avisei que não faria, e que ele aguardasse. Foi quando o irmão dele começou a jogar mesa, cadeira sobre mim e levei vários chutes no rosto e quebrou meu nariz'', disse.
Segundo Peppes, apesar de ter obtido 12 dos 13 votos para presidir a Câmara no biênio 2003/2004, não prometeu cargos em comissão a ninguém. ''Disse que após a eleição faria uma consulta entre os vereadores para definir os cargos, mas a Lei Orgânica do Município diz que as nomeações são responsabilidade da Mesa Diretora. Disse aos vereadores que faria essa consulta, mas para o Amin não assumi nenhum compromisso'', garantiu.
Amin Hannouche sustentou a versão de que Peppes teria iniciado a agressão contra seu irmão. ''Os vereadores Heuvécio Alves Badaró, Sebastião Lucri e Vanildo Sotero convidaram a mim e o Kalil para participarmos de uma reunião com o Fernando onde se iria conversar sobre essas questões (cargos). Nós estaríamos ajudando a pensar os nomes das pessoas que seriam indicadas, e gostariam que eu fosse um dos assessores'', disse. ''Em um dado momento da conversa, o Fernando começou a enrolar demais e o Kalil disse que ninguém deveria cumprir sua palavra. Foi quando o Fernando perdeu a compostura e em uma atitude ditatorial, levantou, pegou a cadeira e jogou no meu irmão. O Kalil só se defendeu da agressão do Fernando'', afirmou Amin.
De acordo com Amin, Peppes somente teria registrado a ocorrência uma hora após a queixa dos irmãos. A Folha não conseguiu falar com Kalil, porque ele estava fazendo exames médicos. Os três vereadores que teriam presenciado a confusão não foram localizados.
O delegado Agenor do Nascimento Filho, procurado pela Folha, disse que não poderia dar detalhes dos boletins de ocorrência a pedido dos denunciantes. ''Os procedimentos serão lavrados e os atos apurados mediante um termo circunstanciado de infração penal. Eles serão ouvidos e em seguida serão encaminhados ao Juizado Especial de Pequenas Causas com data para a audiência e o juiz vai dar o veredito sobre o ocorrido'', resumiu o delegado.

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