MACEIÓ - O confronto ocorrido entre servidores e policiais militares no Palácio dos Martírios, na noite de quinta-feira, revelou ao País o lado mais visível da crise enfrentada por Alagoas. Há nove meses sem receber salários, os servidores foram ao palácio discutir com o governador Divaldo Suruagy (PMDB) e acabaram expulsos com violência.
A crise tem produzido efeitos diretos na economia do Estado. Os empresários vão direto para Sergipe, Pernambuco e Bahia. Empresas de porte fecham suas portas. O Banco do Estado de Alagoas foi extinto em março, depois de 33 anos de existência, e deixou 866 desempregados. Alagoas registra alguns dos piores indicadores sociais do País: quase 80% de analfabetismo e 300 crianças mortas para cada mil nascidas vivas. Tudo isso tem provocado a maior onda de inadimplência já registrada no Estado. Calcula-se que mais de R$ 500 milhões estejam fora da economia alagoana.
O ano letivo de 1997 ainda não começou para os alunos da rede estadual de ensino. O governo não aplica a fatia de 25% da receita orçamentária que a Constituição manda investir na educação e está para ser denunciado pelo Ministério Público Estadual por crime de responsabilidade. Representantes de vários segmentos da iniciativa privada criaram um movimento chamado ‘‘Alagoas Exige’’, com o objetivo de encontrar soluções para a crise do Estado.
A situação da saúde pública não é diferente. No último fim de semana, pelo menos quatro pessoas morreram em hospitais estaduais por falta de assistência médica. O procurador-geral de Justiça, Dilmar Camerino, disse que o Ministério Público passa a maior parte do tempo investigando os graves problemas administrativos do Estado.
No início de maio, o deputado estadual Cícero Ferro (PSD), que presidiu a CPI dos Precatórios de Alagoas, denunciou que o governo do Estado encaminhou informações falsas ao Banco Central e ao Senado sobre o percentual de recursos destinados à educação em 1995. ‘‘Documento enviado pelo governo a Brasília informou que foram aplicados 25% da receita em educação, quando dados do sindicato dos professores revelam que apenas 10% da arrecadação foi para o ensino’’, garante Ferro.
O Banco Central e o Senado, segundo Ferro, também foram enganados com relação ao pedido feito pelo governo do Estado para emitir R$ 301,6 milhões em títulos públicos para pagar precatórios. As irregularidades foram comprovadas pela CPI da Assembléia, mas o impeachment do governador e do vice esbarrou na cumplicidade dos deputados governistas.
A esperança da oposição é que o governador seja punido pela CPI do Senado, que já concluiu que os recursos dos títulos emitidos por Alagoas foram desviados para outros fins e recomendou que o MP denuncie Suruagy por crime de responsabilidade e falsidade ideológica.

mockup