Confronto com PM deixa arrozeiros feridos em protesto contra Lula
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Liège Albuquerque, enviada especial<br>Agência Estado 
Boa Vista - Quatro arrozeiros ficaram feridos em confronto com a polícia militar em frente ao parque Anauá, onde o presidente Luis Inácio Lula da Silva fechou a agenda em Roraima ontem. Cerca de 50 arrozeiros descontentes com a demarcação das terras indígenas Raposa Serra do Sol entraram em conflito com a Polícia Federal em frente ao aeroporto de Boa Vista. O líder dos arrozeiros, o empresário Paulo César Quartiero, levou cinco pontos na cabeça. Segundo o comandante da polícia militar de Roraima, coronel Waney Raimundo Vieira Filho, os quatro serão presos ao saírem do hospital por desacato a autoridade, desobediência e resistência à prisão.
''Estamos aqui lutando para não entregar nosso Estado aos indígenas e o presidente Lula já está planejando outra demarcação'', reclamou Quartiero pela manhã, quando foi realizada a primeira manifestação do dia, em frente ao aeroporto de Boa Vista. Na manifestação à tarde, quando o empresário foi ferido por um cassetete de um policial, ele segurava um cartaz escrito ''Pela desintrusão dos ecoparasitas''.
Quartiero foi o líder das manifestações de protesto pela demarcação das terras contínuas indígenas da reserva Raposa Serra do Sol. Foi preso em uma das manifestações e, quando solto, foi recebido em festa pela população de Roraima. O fazendeiro é ex-prefeito de Pacaraima, cidade a 250 km da capital e é dono de duas das maiores fazendas de produção de arroz de Roraima.
Cerca de 50 pessoas vestidas de preto, levando balões de gás pretos e sacolas com ovos gritavam palavras de ordem como ''Fora Lula entreguista'' em frente ao aeroporto de Boa Vista, lideradas por Quartiero. No aeroporto, indiferente à manifestação, o presidente inaugurava obra de ampliação feita com verba de R$ 9 milhões do PAC.
Em seguida, o presidente deu entrevista a rádios locais dizendo que a demarcação não era para ser discutida e sim para ser cumprida a decisão do Supremo Tribunal Federal. ''A parte não demarcada (de Roraima) é equivalente ao estado de Sergipe e é necessário um plano de desenvolvimento para ela'', disse o presidente.
Durante a manifestação, os arrozeiros seguravam cartazes e alguns choravam, como a fazendeira Regina da Silva. Ela fez um cartaz com cópias de multas no valor de R$ 7 milhões que ela tem de pagar ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais e Renováveis (Ibama). ''Vou ter de pagar por uma terra que eu fazia produzir e agora é dos índios'', disse.
Confronto
Segundo Quartiero, a manifestação da manhã foi bem mais pacífica. ''Embora alguns companheiros tenham chutado uns carros da Polícia Federal. Mas de tarde quiseram nos impedir de entrar, só que o parque é lugar público, não é como o aeroporto que é federal'', disse.
Segundo o comandante da PM, até o início da tarde ele tinha informação que seria permitida a entrada dos manifestantes no parque, mas por volta das 15 horas uma funcionária da secretaria da Presidência identificada como Lígia teria impedido que eles entrassem. A reportagem procurou a assessoria da Presidência, que confirmou que Lígia trabalha na secretaria da Presidência, mas não houve retorno ao telefonema para informar sobre a suposta ordem para os manifestantes não entrarem no parque.
''Quando informamos aos manifestantes que eles não poderiam entrar por ordem da Presidência, eles começaram a empurrar o portão principal e junto as pessoas que estavam na frente, incluindo mulheres e crianças'', disse. De acordo com o coronel, os manifestantes jogaram urina, ovos e cadeiras nos policiais. ''Aí tivemos de reagir com força e demos ordem de prisão''.
Segundo Quartiero, a PM estava em frente ao Hospital Geral de Boa Vista esperando que ele, dois fazendeiros e a mulher de um deles saíssem para serem presos. ''Não amos resistir à prisão, mas não vamos parar com nossa luta e resistência'', afirmou. Pela manhã, participou da manifestação o deputado federal Márcio Junqueira (DEM), mas não à tarde.


