O segundo dia de greve dos funcionários da Prefeitura de Maringá foi marcado pela troca de acusações, desencontro de informações e denúncias de agressão entre a administração e o Sindicato dos Servidores Municipais de Maringá (Sismmar). A negociação em torno da pauta de reivindicações 16,67% de reajuste salarial e revisão do Plano de Cargos e Salários permaneceu na estaca zero. A prefeitura aceita apenas a reposição da inflação de 2005, calculada em 4,53%.
''Absolutamente chocante'', foi o comentário do prefeito Silvio Barros (PP) aos confrontos de ontem. A Prefeitura acusa os grevistas de ter radicalizado o movimento com piquetes ilegais em frente a órgãos públicos e agressão de servidores inclusive com ''mordidas''.
''Ao tentar entrar no Paço Municipal, fui chutada pelos grevistas. Estou muito aborrecida'', queixou-se a secretária municipal de Educação, Norma Leandro Deffune. Nota oficial da administração afirma que os grevistas ''cortaram os cabos de telefone da Escola Municipal Pioneira Jesuína de Jesus Freitas, agrediram fisicamente pais de alunos que pretendiam deixar os filhos nos Centros de Educação Infantil (CMEIs), e impediram secretários municipais'' de entrar em seus gabinetes para trabalhar. A nota acrescenta que a maior parte das ocorrências foi levada ao conhecimento da Polícia Civil.
Apesar das acusações, a Prefeitura tentou manter as aparências de que a administração pública não foi afetada. A versão oficial garante que o trabalho dos diversos setores municipais ''ocorreu dentro do previsto'' e que mais de 70% dos servidores da Educação ''trabalharam normalmente''.
O secretário de Serviços Públicos, Diniz Afonso, reconheceu, porém, que o piquete impediu o trabalho de coleta de resíduos fato que já resulta em acúmulo de lixo em frente a residências.
Apesar dos prejuízos, a administração reafirmou disposição de não apresentar contra-proposta salarial. ''Com os grevistas não vamos negociar. Estamos no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal'', disse o secretário de Administração, Ademar Schiavone. A folha salarial chega a R$ 10 milhões por mês.

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