A ausência de um candidato de direita e a verticalização das coligações imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições deste ano podem jogar o País em um grande impasse a partir de 2003: um presidente de centro-esquerda terá de negociar com um Congresso de centro-direita.
Essa é a avaliação do cientista político Jairo Nicolau, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, para quem a agenda da campanha ficará totalmente defasada a partir de 2003. ‘‘O Legislativo terá uma maioria de centro-direita e será esta a agenda do País, mas não é isso que está sendo discutido pelos candidatos, porque são de centro-esquerda.’’
Segundo ele, temas como previdência pública e excesso de municípios ficarão de fora da agenda dos candidatos, mas não do futuro presidente, porque serão colocados pelo próximo Congresso. ‘‘Como não são assuntos da centro-esquerda e só temos candidatos com tal perfil, essa agenda ficará fora da campanha. O problema é que o País é mais conservador do que os candidatos que estão a풒, anota, lembrando que as legendas de centro-direita sempre conseguem maioria no parlamento.
Com a verticalização, diz ele, a situação piorou. Partidos de centro-direita foram incentivados a não lançar candidatos e ficaram livres para se concentrar nos Estados e eleger grandes bancadas. ‘‘PFL, PMDB e PPB, que não têm candidatos a presidente, podem fazer uns 250 deputados e conquistar a maioria da Câmara’’, prevê.
‘‘Do outro lado, os partidos de centro-esquerda ficaram amarrados às coligações e nenhum presidenciável fará mais do que 100 deputados’’, compara Nicolau. ‘‘Temos um debate eleitoral deslocado: o que os presidenciáveis terão de fazer estará à direita do que estão prometendo, porque o Congresso estará à direita e ninguém governa sem ele.’’

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