O senador Ramez Tebet (PMDB-MS) assume o ministério da Integração Nacional no dia 20, convencido de que terá mais sucesso para administrar as dificuldades políticas e financeiras que vitimaram os antecessores dele na pasta. A data e o novo modelo do ministério foram acertados ontem, durante encontro com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no Palácio da Alvorada. ‘‘Não existe nada na vida em que não se encontre dificuldades; é preciso capacidade e espírito cívico para as superar’’, disse o senador. ‘‘Vou trabalhar para ser o mais eficiente possível’’, prometeu.
O senador, que ganhou notoriedade no exercício da presidência do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, passou os últimos dias articulando, politicamente, a entrada no governo. Após aceitar o convite formulado por Fernando Henrique, Tebet passou a conversar com os correligionários na cúpula do PMDB, disposto a suavizar a reação negativa do partido ao recuo do presidente, que não cedeu às pressões por uma reforma ministerial mais ampla.
Para evitar atritos, o senador desistiu da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, órgão que poderia ser agregado ao Ministério da Integração Nacional para silenciar os rumores de que a pasta teria sido esvaziada pela transformação da extintas Superintendências do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e do Nordeste (Sudene) em agências de fomento. O recado tranquilizador foi levado por Tebet ao ex-ministro e senador Íris Resende (PMDB-GO). ‘‘É uma questão política’’, admitiu o senador a interlocutores.
Convidado pelo presidente em meio ao surgimento de fatos novos no caso Banco do Estado do Pará (Banpará), o novo ministro tem demonstrado, nas conversas reservadas, um alívio por se afastar da missão de ser o algoz do presidente do Congresso, Jader Barbalho (PMDB-PA), que não consegue se afastar das acusações de envolvimento no desvio de recursos do banco.

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