A 8ª Cúpula de Chefes de Estado Ibero-Americanos fortaleceu a imagem política do presidente Fernando Henrique junto aos países participantes do encontro. Comandando a principal economia do bloco, FHC está tendo no encontro do Porto a agenda de compromissos extra-conferência mais carregada.
Somente ontem, a agenda de FHC incluía encontros com o presidente da Argentina, Carlos Menem, com o presidente do México, Ernesto Zedillo, e com o presidente da Costa Rica, Miguel Angel Echeberría. No almoço, na cidade de Guimarães, o encontro seria com o primeiro-ministro de Portugal, Antônio Guterres.
Na verdade, existe um consenso entre os países ibero-americanos de que o Brasil tem puxado o bloco na luta para garantir a criação de mecanismos especiais contra a instabilidade no mercado mundial. Há pelo menos dois anos, o presidente FHC vem mencionando o problema. Com as crises asiática e russa, a América Latina passou a ser considerado um dos principais alvos para uma nova erupção.
Na crise asiática, no final de outubro de 1997, o governo brasileiro conseguiu uma boa sinalização para o mercado internacional, lançando um pacote de 51 medidas para evitar a crise. As medidas, no entanto, acabaram diluindo seu impacto nos meses seguintes. Com a nova perspectiva de crise, FHC acabou decidindo adotar um programa de ajuste fiscal que somente deverá ser divulgado depois da conclusão do segundo turno das eleições, que acontece no dia 25.
A tese brasileira de proteção aos mercados emergentes e fortalecimento de órgãos financeiros internacionais foi adotada pelos outros países participantes da Cúpula do Porto. O documento final do encontro inclui a proposta de ‘‘manter políticas econômicas financeiramente sãs’’ e pede ainda a participação mais ativa dos organismos financeiros mundiais.
Embora a Cúpula não tenha caráter de apresentar resoluções, mas apenas um apoio político a algumas posições, hoje existe um início de entendimento em torno da idéia de sempre se baixar juros em países economicamente fortes, como os EUA, num momento de fuga pesada de divisas em outras nações que estejam ameaçadas por conta de uma eventual crise financeira. Com isso, os investidores não teriam tanto interesse em retirar rapidamente seu capital, atrás da segurança das taxas de juros norte-americanas. A idéia, no entanto, ainda é apenas embrionária.Dominique Faget/France PresseNa frenteFHC: Brasil puxa resistência econômica na América LatinaIMarcelo de Moraes
Agência Estado

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