Nos últimos dois anos, a Polícia Federal em Londrina instaurou pelo menos 20 inquéritos a pedido da Justiça Federal que apuram evasão de divisas e crime contra a ordem tributária através de contas CC-5. Dois desses inquéritos, sob a responsabilidade do delegado Luiz Pontel, apuram as remessas das empresas JJ Representações Comerciais S/C Ltda., e Danki Representações Comerciais, de propriedade do ex-funcionário público municipal João Edson Danziger, conhecido como ''João Boquinha''. Pelas CC-5, essas empresas teriam remetido ao exterior mais de R$ 6,5 milhões.
Pontel disse que os inquéritos correm em segredo de justiça. Ele adiantou apenas que está recebendo dos bancos dados das contas obtidos através da quebra do sigilo bancário. ''Não posso precisar quanto tempo os inquéritos vão demorar. Por enquanto estou dependendo da remessa das informações dos bancos'', disse.
Além desses inquéritos, Danziger também é citado em uma ação criminal ajuizada pelo MP, em 2000. Ele é acusado de envolvimento no desvio de R$ 120 mil da Prefeitura de Londrina, via licitação fraudulenta. O cheque foi depositado na conta da empresa fantasma Freitas & Dutra, no Banestado.
A ação gerou a prisão preventiva de Danzinger e outros três citados, entre eles o doleiro Alberto Youssef. A prisão foi revogada pelo STJ. Youssef também é investigado na PF em mais de 30 inquéritos de contas fantasmas abertas no Banestado. Calcula-se que pelas contas passaram mais de R$ 150 milhões de maio de 98 a janeiro de 99.
A Folha tentou ouvir o advogado de Youssef, João dos Santos Gomes Filho, mas ele está viajando. O advogado de Danziger, Marco Antônio Busto não foi localizado.

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