Conduta de Chinaglia é alvo de críticas
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sábado, 14 de abril de 2007
Fábio Zanini e Letícia Sander<br>Folhapress 
Brasília - Em pouco mais de dois meses na presidência da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) consolidou a imagem de um líder centralizador e que não gosta de ser contrariado. Nas últimas semanas, ''imperador Chinaglia'', como alguns deputados o chamam (ou ''Arlindo 1º'', segundo outra versão), atraiu a fúria de oposicionistas, mas também de alguns governistas, por sua conduta na discussão da CPI da crise aérea.
Foi acusado de ''fazer média'' pelos governistas por não ter enterrado sumariamente a comissão. A oposição irritou-se porque ele aceitou recurso do PT para sufocar a investigação. Chinaglia deu de ombros: ''Se apanho de todo mundo, devo estar correto'', chegou a dizer.
Na corte do petista, o espaço para contestações é restrito. Poucos têm a intimidade de um Cândido Vaccarezza (PT-SP), coordenador de sua candidatura a presidente, para fazer uma advertência mais séria sem arriscar levar uma invertida.
Nem o líder do governo, José Múcio (PTB-PE), um dos deputados mais próximos de Chinaglia, escapou de uma descompostura. Numa reunião, teve a temeridade de levantar uma saída para o imbróglio da CPI que desagradou o presidente. Em tom exaltado, Chinaglia mandou Múcio ''ler melhor o regimento interno''.
O ambiente de constrangimento foi tamanho que Chinaglia desculpou-se horas mais tarde. ''Fiz tudo de boa-fé, mas talvez tenha sido, pela tensão, ríspido quando não deveria'', disse, ao microfone.
Na relação com os jornalistas, Chinaglia segue o estilo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e vai além: não tem nem sequer assessor de imprensa. Evita coletivas, embora se submeta, com notório desconforto, às rápidas e caóticas entrevistas em que é cercado por microfones e gravadores enquanto responde caminhando.
Até isso pode acabar. Chinaglia já tentou desengavetar um estudo que transfere a presidência para uma sala hoje ocupada pelos jornalistas, ao lado do plenário. Assim, não precisaria encontrar repórteres toda vez que deixasse seu gabinete.
A oposição, cuidadosa no início, já reclama abertamente. ''Ele não tem sido muito feliz no conjunto das coisas. Tem se atritado tanto com os líderes do governo quanto com a oposição. A pauta da Câmara parece que sai da Casa Civil'', afirma o baiano José Carlos Aleluia, do DEM (ex-PFL).


