Condução coercitiva não significa culpa
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sábado, 05 de março de 2016
Leandro Colon<br>Folhapress 
Brasília - Em nota divulgada ontem, o juiz federal Sergio Moro afirmou que a medida de condução coercitiva do ex-presidente Lula para depor na sexta-feira não significa "antecipação de culpa" do petista. Moro afirmou que acatou um pedido do Ministério Público Federal.
"Como consignado na decisão, essas medidas investigatórias visam apenas o esclarecimento da verdade e não significam antecipação de culpa do ex-presidente", afirmou o juiz que conduz as investigações da Lava Jato. "Cuidados foram tomados para preservar, durante a diligência, a imagem do ex-presidente", ressaltou.
A nota é uma reação de Moro à polêmica criada por sua decisão de determinar a condução coercitiva de Lula, ou seja, ter obrigado o ex-presidente a ser levado a um local determinado para prestar depoimento - no caso, numa sala no aeroporto de Congonhas. Além do próprio Lula, aliados, entre eles a presidente Dilma Rousseff, criticaram a medida do juiz. A divulgação da nota é atitude rara do magistrado, que só costuma se manifestar sobre as críticas endereçadas a si nos autos dos processos da Lava Jato.
CONFRONTOS
Moro também comentou os confrontos na sexta entre militantes anti e pró-Lula por causa da Operação Aletheia (24ª fase da Lava Jato), que teve como alvo o ex-presidente. No despacho que autorizou a ação, Moro havia justificado que pretendia evitar tumultos.
Ontem ele reforçou o mesmo argumento: "Lamenta-se que as diligências tenham levado a pontuais confrontos em manifestação políticas inflamadas, com agressões a inocentes, exatamente o que se pretendia evitar". "Repudia este julgador, sem prejuízo da liberdade de expressão e de manifestação política, atos de violência de qualquer natureza, origem e direcionamento, bem como a incitação à prática de violência, ofensas ou ameaças a quem quer que seja, a investigados, a partidos políticos, a instituições constituídas ou a qualquer pessoa", ressaltou o juiz.


