Condenados pelo STF puxam fila de faltosos do Congresso
Curitiba Em Brasília, dois condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) estão no ranking dos oito parlamentares mais faltosos de 2017. Segundo levantamento do site Congresso em Foco, Roberto Góes (PDT-AP), campeão em ações na corte, e Paulo Maluf (PP-SP), que cumpre pena de prisão no Complexo Penitenciário da Papuda, perderam mais da metade das datas reservadas a votações na Câmara.
Além deles, a lista inclui José Otávio Germano (PP-RS), Giovani Cherini (PR-RS), Arthur Virgílio Bisneto (PSDB-AM), Sabino Castelo Branco (PTB-AM), Adail Carneiro (PP-CE) e Jovair Arantes (PTB-GO). Dos 252 dias úteis do ano, os deputados federais estavam obrigados a comparecer em 119. Do total das ausências, 2,6 mil não foram justificadas até o último dia 10 de janeiro. O número de faltas equivale a mais de dois terços (67%) de todas as 12.501 presenças registradas.
Ainda conforme o Congresso em Foco, apesar de ter justificado a maior parte das 471 ausências que acumularam, cada um dos citados teve mais de 60 faltas, à exceção de Bisneto, que exerceu o mandato por menor período. A maior parte das faltas foi atribuída a problemas de saúde. Esse foi o motivo mais comum entre os alegados pelos parlamentares para escapar do desconto no salário e do risco de perder o mandato por excesso de ausências.
Outros 11 parlamentares faltaram mais de 25 vezes sem apresentar justificativa. São eles: Nivaldo Albuquerque (PRP-AL), Waldir Maranhão (Avante-MA), José Priante (MDB-PA), Vicente Candido (PT-SP), Edmar Arruda (PSD-PR), Renzo Braz (PP-MG), Guilherme Mussi (PP-SP), Sérgio Reis (PRB-SP), Magda Mofatto (PR-GO), Vicentinho Júnior (PR-TO) e Celso Jacob (MDB-RJ).
Atestados médicos abonaram 4.418 faltas na Câmara em 2017. Missões oficiais pela Casa foram usadas para justificar 3.578 ausências. Foram atribuídas, ainda, 2.040 faltas a "decisão da Mesa". Nesse caso, a Mesa Diretora não detalha a razão do não comparecimento. Em geral, porque o parlamentar participa de atos políticos em seu Estado.
De acordo com o artigo 55 da Constituição, o congressista que deixar de comparecer a mais de um terço das sessões sem apresentar justificativa em até 30 dias poderá perder o mandato. A ressalva é, justamente, quanto às ausências por problemas de saúde, que podem ser justificadas a qualquer tempo.
SENADORES
Já o índice de presença entre os senadores foi alto. Quase metade (49 entre os 87 titulares e suplentes que exerceram mandato em algum momento do ano) compareceu a pelo menos 90% de todas as sessões. Entre eles está Fernando Collor (PTC-AL), que no ano anterior tinha sido o mais faltoso.
Um dos denunciados no "quadrilhão do PMDB", partido que voltou a se chamar MDB no começo de dezembro, Jader Barbalho (PA) foi o senador que mais perdeu plenárias deliberativas em 2017: um total de 32, equivalente a 49% das 65 analisadas.
O também peemedebista Zezé Perrella (MG) ocupa a segunda posição. Perrella falou a 29 sessões (45%), todas elas sob a justificativa do exercício da atividade parlamentar. Ano passado, quando ainda estava no PTB, o senador faltou a 25 sessões (23%) das 91 realizadas, atribuindo 23 delas a compromissos inerentes ao mandato.
Somente os senadores José Pimentel (PT-CE), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Reguffe (s/partido-DF) compareceram a todas as sessões realizadas entre fevereiro e novembro. (M.F.R.)





