Condenados 8 envolvidos no caso Marka e FonteCindam
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segunda-feira, 04 de abril de 2005
Elvira Lobato<br> Folhapress 
RIO DE JANEIRO - O ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes foi condenado pela Justiça a dez anos de prisão por ter autorizado o socorro financeiro aos bancos Marka e FonteCindam na mudança da política cambial ocorrida em janeiro de 1999. No total, oito pessoas foram condenadas, incluindo outros quatro ex-dirigentes do BC. Eles poderão recorrer. Três dos 11 acusados foram absolvidos.
Segundo a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6 Vara Criminal Federal, do Rio, a ajuda aos bancos Marka e FonteCindam causou um prejuízo de R$ 1,5 bilhão ao erário, em benefício dos bancos privados e, principalmente, dos ex-acionistas controladores Salvatore Cacciola (Marka) e Roberto Steinfeld (FonteCindam), também condenados.
Cacciola, que vive em Milão e está foragido da Justiça brasileira, teve a maior punição 13 anos de prisão em regime fechado mais pagamento de 156 dias-multa, num total de R$ 202,8 mil.
FonteCindam e Marka foram apanhados pela mudança cambial em situação de alto risco no mercado futuro de dólar. Apostaram na estabilidade da moeda, enquanto as demais instituições se prepararam para a desvalorização do real. O Marka tinha 20 vezes seu patrimônio líquido comprometido em contratos de venda no mercado futuro de dólar. Com a desvalorização, Cacciola ficou sem poder honrar os compromissos e pediu ajuda ao BC, usando de intermediário Luiz Bragança, amigo de infância de Francisco Lopes.
O FonteCidam foi apanhado em situação semelhante à do Marka. Segundo a juíza, Luiz Antônio Gonçalves usou sua influência no BC para obter o privilégio para si e para o acionista controlador, Steinfeld. Os dois foram condenados a dez anos de prisão e multa (R$ 156 mil, cada um).
Os outros ex-diretores do BC condenados são Cláudio Ness Mauch e Demóstenes Madureira de Pinho Neto. Os dois receberam penas de dez anos de prisão. A multa aplicada a Mauch é ligeiramente menor (R$ 93,6 mil em valores atuais) do que a de Pinho Neto (R$ 156 mil).
A ex-diretora de Fiscalização Tereza Grossi recebeu uma punição menor seis anos de prisão e R$ 56,16 mil em multas. O quarto ex-dirigente do BC punido é Luiz Antônio Gonçalves.


