Condenado a prisão, Pegorer critica CPI
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sábado, 30 de abril de 2011
Paula Barbosa Ocanha <br>Reportagem Local 
O ex-prefeito de Apucarana (Norte), Valter Pegorer (PMDB), condenado na quinta-feira à noite a 5 anos e 10 meses de detenção em regime semi-aberto, prestou depoimento na sexta-feira à noite à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal, que apura a real dívida pública do município.
Pegorer foi condenado pelo juiz da Vara Criminal da Comarca de Apucarana, Katsujo Nakadomari, por irregularidades no repasse de recursos sem licitação às associações de moradores do Núcleo João Paulo I e Correia de Freitas, durante seu primeiro mandato. O ex-prefeito afirmou que vai recorrer da decisão e a considerou arbitrária. Ele afirma que a investigação tem caráter político. Apesar disso, Pegorer ressaltou que levou documentos para comprovar aos parlamentares sua versão dos fatos.
O ex-prefeito compareceu à Casa na última sexta acompanhado pelos advogados Aluísio Ferreira e Valéria Caliman, que entregaram à CPI um habeas corpus preventivo concedido pelo juiz Katsujo Nakadomari, documento que desobrigou Pegorer de assinar termo se comprometendo a dizer a verdade, além de dar a ele o direito de permanecer calado sempre que entendesse necessário. Por esse motivo, a Câmara rebateu que o ex-prefeito se aproveitou do documento para se esquivar de perguntas importantes. A CPI afirma que a dívida do município pode ultrapassar R$ 200 milhões.
Os vereadores o questionaram insistentemente sobre a origem da dívida com os bancos Santos e Itamaraty e com o INSS - já que as duas juntas somam quase R$ 150 milhões. Levei documentos para mostrar que no final do meu mandato, em 1996, deixei uma dívida de R$ 4,2 milhões na Prefeitura, que foram renegociadas e parceladas em 22 vezes. O prefeito que assumiu depois de mim nunca pagou as parcelas, e no final do mandato dele, ele renegociou a dívida - com a aprovação da Câmara Municipal - em 30 anos, e assim ela subiu de R$ 4 milhões para R$ 22,7 milhões, explicou.
Essa investigação tem caráter político. Mas sei que é importante meu depoimento porque a cidade tem 67 anos, e eu a administrei por 12. É importante apurar a dívida e a cidade tem que saber a verdade, mas essa dívida com os Bancos Santos e Itamaraty está sendo contestada judicialmente. Inclusive consegui uma liminar que suspendesse o pagamento das parcelas justamente porque esse reparcelamento foi muito alto, ressaltou. Pegorer explicou que, na época, o parcelamento da dívida de R$ 22,7 milhões ficava em quase R$ 200 mil por mês, retirados do Fundo de Participação dos Municípios.
O presidente da Câmara, Alcides Ramos Júnior (DEM), afirmou pela assessoria de imprensa que Pegorer se aproveitou do habeas corpus para se esquivar de responder mais detalhadamente sobre as dívidas. A sessão também foi marcada por discussões entre os advogados de Pegorer e assessores jurídicos da Câmara.
Na próxima semana, a CPI se reúne para definir se haverá novas convocações ou se parte para a elaboração do relatório final.


