Condenação do PR foi revista no TRF
Curitiba - O juiz federal Vicente Paula Ataíde Júnior decidiu em julho de 2002 condenar o Banco Central a indenizar todas as vítimas do Consórcio Nacional Garibaldi. O ação civil indenizatória, estipulada em R$ 36 milhões, pedia a tutela do direito dos consumidores do consórcio e a imputação de improbidade administrativa ao banco pela falta de entrega de bens (automóveis, utilitários, camionetes e eletroeletrônicos), cobrança abusiva de saldo de caixa pelo Consórcio Nacional Garibaldi e omissão. Segundo o Ministério Público (MP) federal, o BC teria decidido realizar fiscalizações diretas no Consórcio Garibaldi em 3 de setembro de 1993. Somente no dia 30 de setembro de 1994, últimos dias antes das eleições em que Tony Garcia concorria ao cargo de senador, teria sido decretada a liquidação. Os autos teriam sido remetidos para Brasília e em outubro, a liquidação teria sido efetivada.
Os prejuízos aos consorciados teriam ocorrido pela atuação dos dirigentes do consórcio e pela omissão do BC -que não teria tomado as medidas cabíveis para repreender a administração irregular da empresa. O delegado do BC de Curitiba à época foi condenado a perda do cargo público e ao pagamento de multa de 20 vezes o valor dos proventos recebidos por ele, além da suspensão do direito de contratar benefícios fiscais junto ao Poder Público por um prazo de três anos. Ambos recorreram da condenação, que foi parcialmente revista pela desembargadora federal Marga Inge Barth Tessler. Com embargos de declaração, o processo aguarda revisão no gabinete da desembargadora federal Silvia Goraieb. Para Tony Garcia, ''houve má fé, negligência e conluio do BC com os ex-sócios do Consórcio Garibaldi''.
Folha- Por que os ex-sócios queriam prejudicá-lo?
Tony Garcia- Dois deles (nomes foram omitidos para preservar o sigilo do processo) foram me procurar para me extorquir. Eles pediram US$ 150 mil para não mudarem o depoimento na Justiça Federal. Eles diziam que iriam dizer que eu era o controlador de tudo. Eu gravei uma fita com a extorsão e apresentei à Justiça Federal. Os dois mudaram o depoimento e tiveram que voltar atrás. Sei que eles (os sócios) tinham R$ 11,8 milhões em caixa na épca da liquidação. O dinheiro desapareceu. Esse dinheiro, por si só, pagava à época as dívidas com os consorciados. (L.P.)





