Conde quer ruas com ar condicionado
Agência Estado
Arquivo FolhaPrato cheioConde: projetos como o trem que flutua, aquário marinho gigantesco e ruas com ar-condicionado são a alegria da oposição O discreto prefeito do Rio de Janeiro, Luiz Paulo Conde, parece estar seguindo os passos do espalhafatoso César Maia, seu antecessor político. Conde não chega a lançar factóides na proporção impressionante de Maia, mas perpetua a estratégia de marketing do ex-prefeito anunciando projetos à primeira vista mirabolantes. Ruas com ar-condicionado, um trem magnético que levita sobre os trilhos e um gigantesco aquário marinho são algumas das idéias da administração Conde, que devem ser postas em prática ainda este ano.
À exceção do trem magnético, uma iniciativa privada apoiada pela Prefeitura, todos os projetos fazem parte do Rio Cidade II - a segunda etapa do grande plano urbanístico da cidade, que começou na gestão de César Maia. Na primeira etapa, o projeto atingiu 15 trechos do Rio e causou muita polêmica entre os moradores da cidade. A principal delas foi a do obelisco construído em Ipanema, de autoria do arquiteto Paulo Casé. Considerada de gosto duvidoso por boa parte da população, a obra rendeu debates intermináveis nos jornais, rádios e emissoras de televisão.
A segunda etapa do Rio Cidade, que deverá estar concluída no final do governo Conde, tem por objetivo fazer intervenções em outros 27 trechos e promete gerar tanta polêmica quanto a primeira. A começar pelo projeto, também de Paulo Casé, que prevê a instalação de escadas rolantes e ar-condicionado em duas ruas do bairro de Bangu, um dos mais quentes do Rio.
A proposta encontra-se em desenvolvimento e, caso seja aprovada, deverá começar a ser posta em prática no final deste ano. Conceitualmente, o objetivo do Rio Cidade é criar melhores condições do espaço urbano, afirma Casé. Para isso, temos que levar em conta as especificidades de cada local que, no caso de Bangu, é o calor.
O trecho que receberia a climatização tem cerca de um quilômetro e engloba duas ruas do principal centro comercial de Bangu, a Ministro Ary Franco e a Cônego Vasconcelos. Não é exatamente um aparelho de ar-condicionado, explica Casé. Vamos condicionar o ar, criando uma nuvem permanente de microgotículas de água, o que é feito com borrifadores e válvulas de pressão.
O corredor com temperatura mais amena se estenderia por sobre a linha do trem, que divide o bairro em dois, e chegaria até o outro lado de Bangu. Para transpor a linha, vamos instalar escadas rolantes, diz o arquiteto. O que me interessa é o bem-estar da população.
O bem-estar da população também é um dos argumentos de um grupo de investidores e empresas japonesas e brasileiras que está lançando o projeto do trem que fará a ligação da Barra da Tijuca ao Centro da cidade, cobrindo um trecho de 36 quilômetros. Trata-se de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que adota um moderníssimo sistema magnético de levitação.
Também conhecido como ecotrem, porque não polui o ambiente, o veículo transportaria 80 mil passageiros por dia, desafogando o trânsito na zona sul. Destinado à classe média, o transporte teria uma passagem de cerca de R$ 5. O orçamento do projeto gira em torno de US$ 900 milhões.
Atualmente, o grupo de investidores está elaborando o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Sobre o Meio Ambiente (EIA-RIMA), documentos exigidos pela legislação ambiental. A prefeitura não vai investir recursos financeiros nesse projeto, mas acompanha tudo porque está aberta a novas tecnologias que beneficiam a cidade, afirma a secretário especial de Transportes, Márcio Queiróz.
Na verdade, a palavra final para a que o projeto seja aprovado é do prefeito. A polêmica agora é saber por onde passarão os trilhos da moderna engenhoca. Pelo Aterro do Flamengo? Pelas praias de Copacabana, Ipanema e Leblon?
Para Queiróz, esse tipo de especulação não passa de intriga da oposição. Temos montanhas excelentes para serem atravessadas por transportes desse tipo, aponta. A cidade tem vocação para túneis; o trem pode, tranquilamente, passar por dentro das montanhas.





