Curitiba - O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) instaurou ontem uma sindicância para investigar denúncias de favorecimento a um candidato no último concurso público para juiz substituto, realizado em 2006. Segundo a revista Veja desta semana, o ministro Paulo Medina, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), citado na recente operação Furacão da Polícia Federal, teria pedido a desembargadores do TJ-PR que colaborassem para a aprovação de seu genro, o advogado mineiro Leonardo Bechara Stancioli.
Medina é suspeito de envolvimento na venda de liminares que favoreciam casas de bingo e operadores de máquinas caça-níqueis. De acordo com a revista, algumas das escutas telefônicas autorizadas pela Justiça que foram feitas pela PF durante as investigações sugerem que Medina teria interferido de forma irregular para a aprovação de seu genro no concurso. Nas gravações, o ministro afirma que conseguiria que a sustentação oral, uma das fases do concurso, fosse feita por outra pessoa que não Stancioli. Diz ainda que já teria conversado com desembargadores do TJ-PR e que a banca examinadora estava informada sobre seu genro.
Stancioli acabou sendo aprovado na 17 colocação no concurso, cujo resultado foi divulgado em edital no dia 28 de novembro do ano passado. Ele ainda não foi nomeado para a função, já que para isso é necessária a abertura de vagas e é obedecida a classificação no concurso.
Segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa, o presidente do TJ-PR, José Antônio Vidal Coelho, atendendo a pedido da Comissão de Concurso de Ingresso à Magistratura, determinou a instauração de sindicância para apuração das denúncias. Coelho determinou ainda a realização de exame grafotécnico nas fichas e provas do concurso.
A FOLHA tentou falar com o desembargador Tadeu Marino Loyola Costa, presidente do TJ-PR à época do concurso, mas funcionários de seu gabinete afirmaram que as informações somente seriam repasadas apenas pela assesoria do tribunal. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR), Alberto de Paula Machado, pediu rigor nas investigações. ''A denúncia é grave e deve ser investigada.''

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