Com audiência realizada ontem, o juiz da 1 Vara da Fazenda Pública de Londrina, Marcos José Vieira, concluiu a fase de depoimentos de testemunhas no processo em que o ex-prefeito Barbosa Neto (PDT) é acusado de fraude na contratação da empresa que ministrou o curso de formação de guardas municipais em 2010. Também são réus na ação por improbidade administrativa os ex-secretários Marco Cito (Gestão Pública) e Benjamin Zanlorenci (Defesa Social), o servidor público Wagner Trindade, a empresa que ministrou o curso, a Delmondes & Dias, e seu proprietário, Cleiton Severino Dias.
Segundo a ação movida em agosto de 2011, pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, a contratação da Delmondes foi uma ''simulação'', uma vez que o curso de formação dos guardas havia começado em 5 de abril de 2010, mas, o contrato com a empresa somente foi assinado em 25 de maio. Esses 50 dias de cursos foram ministrados por oficiais da Polícia Militar, que somente depois da contratação oficial da Delmondes receberam pelo trabalho. Para o MP, a empresa apenas repassou o dinheiro aos policiais e outros profissionais que deram aulas no curso.
''Trabalhei como instrutor no curso e recebi apenas depois que a empresa foi contratada'', disse o policial civil aposentado Valdir Roque de Lima perante o juiz. O ex-servidor público Ronaldo Moro, que trabalhou na Secretaria de Defesa Social, afirmou que a intenção era contratar - por dispensa de licitação - outra instituição para ministrar o curso, mas houve mudanças de planos. Enquanto não se concluía o pregão para contratar a Delmondes, o curso começou a ser ministrado pelos policiais militares.
Durante a audiência também ficou claro que o curso de tiro - integrante das 740 horas de treinamento - não foi ministrado. Um dos motivos seria o fato de o município não dispor de equipamentos (armas, munição e alvos) para as aulas. Mesmo assim, a Delmodes recebe integralmente o valor do contrato. Parte dele teria sido utilizado para uma quinta turma de alunos - o objeto da licitação eram quatro turmas de 50 alunos cada.
Na ação, o MP pede o ressarcimento dos cofres municipais em R$ 192 mil, uma vez que o município repassou R$ 303 mil a Delmondes e os honorários dos profissionais não alcançaram metade do valor. ''Acredito que ficou demonstrado nas duas audiências que houve uma simulação na contratação da empresa, porque o contrato só foi assinado mais de um mês depois que o curso tinha começado sob a coordenação de oficiais da PM'', disse a promotora Leila Voltarelli. Os réus negam a fraude. A primeira audiência do processo ocorreu no final de janeiro deste ano e foram ouvidas, além de outras testemunhas, os cinco réus. Agora os advogados farão as considerações finais e o juiz poderá conceder sentença.

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