Conchavos, reuniões. E a noite se agita em Brasília
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quarta-feira, 15 de janeiro de 1997
Agência Estado 
BRASíLIA - No mês de janeiro as noites no Planalto Central costumam ser muito calmas, chuvosas e quentes. É quando a cidade fica sem políticos, época do recesso parlamentar. Mas na última segunda-feira, embora tenha se mantido a tradição de calor e chuva, não houve calmaria. Reunidos em quatro locais diferentes, políticos de vários partidos e tendências avaliavam o futuro da emenda da reeleição, do PMDB e da composição da base aliada do governo.
Foi a noite em que os senadores do PDMB, numa sala reservada do restaurante Vecchia Cucina, decidiram se deveriam continuar participando do governo Fernando Henrique Cardoso. À tarde haviam recebido um ultimato do presidente, que lhes deu um prazo exíguo para uma resposta que há anos atormenta o maior partido do Congresso: ser ou não ser governo. Saíram do jantar altas horas e ainda divididos quanto ao melhor caminho.
No Palácio da Alvorada, residência da Presidência da República, o comando tucano avaliou passo a passo com o chefe a última crise, provocada pela moção aprovada domingo na convenção do PMDB. Estavam lá, além dos seis governadores do PSDB, o presidente do partido, senador Teotônio Villela Filho (AL), e o ministro das Comunicações, Sérgio Motta. Os governadores apoiaram a firmeza de Fernando Henrique e calcularam que a paciência do governo com o PMDB não pode durar mais do que sete dias.
Mais tarde, com direito a cafezinho, chegaram outros dirigentes do partido e três deputados do PMDB que são da comissão especial da emenda da reeleição: Maria Elvira (MG), João Natal (GO) e José Aldemir (PB). Os três deputados haviam saído de outra conversa, com o líder na Câmara, Michel Temer (SP), no apartamento de Maria Elvira, no bloco H da Superquadra 302 Norte. Temer fez uma pregação a favor da votação logo na comissão especial. Os seis peemedebistas da comissão aceitaram votar, mas pediram prazo de 24 horas para que os colegas do Senado achassem uma solução para a crise com o Executivo.
Na mesma quadra, mas em outro prédio, no bloco C, o apartamento do comunista Aldo Rebelo (PC do B-SP), serviu de QG para os contrários à reeleição, incluído o PPB do ex-prefeito Paulo Maluf. A articulação contra a emenda foi feita por Aldo Arantes (PC do B-GO), José Genoíno (PT-SP), Humberto Costa (PT-PE), Marcelo Deda (PT-SE), Arnaldo Faria de Sá (PPB-SP) e Valdemar Costa Neto (PL-SP).


