Concessionárias investiram 20% do faturamento
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terça-feira, 09 de dezembro de 2003
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) afirmou ontem que as despesas realizadas com melhorias nas estradas paranaenses no ano passado são incompatíveis com a receita das cinco concessionárias Rodonorte, Rodovia das Cataratas, Ecovia, Econorte e Viapar que não concordaram em reduzir suas tarifas de pedágio até agora. De acordo com o governador, o faturamento das empresas em 2003 foi de R$ 353,4 milhões.
O governador ressaltou que os gastos das cinco concessionárias no ano passado com investimentos e conservação das rodovias representaram apenas 20% da receita das empresas, totalizando R$ 73 milhões. O valor foi aplicado em 2.100 quilômetros.
''Com apenas R$ 70 milhões por ano, pode-se manter como um tapete toda a malha rodoviária paranaense, pedagiada ou não'', afirmou Requião. Pelos dados do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) o Paraná tem 10 mil quilômetros de estradas pavimentadas sob sua jurisdição.
O presidente regional da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), João Chiminazzo Neto, acusou o governo de tentar ''fazer um jogo de cena'' com os números. ''Os números reais são os que constam dos balanços entregues ao DER anualmente, e que o governo conhece bem'', afirmou. Chiminazzo ressaltou que as empresas têm que manter uma estrutura funcionando 24 horas nos trechos concessionados, além de pagar impostos, empréstimos e juros feitos para a reconstrução das estradas, o que consumiu cerca de 80% da receita das concessionárias entre 1998 e 2002.
O governador poupou do ataque a concessionária Caminhos do Paraná, que na semana passada firmou um acordo com o governo reduzindo em 30% o valor praticado em suas tarifas e abrindo mão do reajuste de 15,34% pleiteado na Justiça pelas empresas Viapar, Econorte, Rodonorte e Ecovia. O pedido de reajuste foi negado pela Justiça Federal de Paranavaí, mas as quatro concessionárias recorreram ontem ao Tribunal Regional Federal (TRF) de Porto Alegre, onde no ano passado obtiveram o direito ao reajuste mesmo sem a concordância do governo. A Rodovia das Cataratas ainda não decidiu se entrará com a medida judicial.
O acordo firmado com a Caminhos do Paraná foi questionado pela Sociedade Nacional de Defesa do Patrimônio Público da Cidadania e do Consumidor (SND do PPCC), organização não-governamental fundada pelo empresário Guilhobel Aurélio Camargo. A ONG enviou um relatório ao ouvidor-geral do Estado Luiz Carlos Delazari e aos deputados estaduais. De acordo com o documento, o acordo só foi firmado após uma auditoria realizada pelo governo encontrar R$ 36 milhões em irregularidades não sanáveis na contabilidade da Caminhos, e que haveria o risco dessas irregularidades passarem impunes após a assinatura do acordo. A Folha tentou contato com o diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Rogério Tizzot, para comentar a acusação, mas não obteve resposta.
Segundo Camargo, o acordo desobriga a empresa de investir R$ 727 milhões em obras de investimento nas estradas nos próximos 18 anos. O governo afirma que os investimentos previstos no contrato seriam de R$ 350 milhões.


