Concessionárias estão dispostas a negociar com Requião
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de outubro de 2002
Denise Angelo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba Pelo menos duas das seis concessionárias que operam o Anel de Integração estão dispostas a sentar na mesa de negociação com o governador eleito Roberto Requião (PMDB) para discutir o contrato de concessão e, quem sabe, rever os preços das tarifas. A Rodonorte e a Econorte já sinalizaram essa disposição.
A Rodonorte opera 560 quilômetros de rodovias na região central. O presidente da Rodonorte, Maurício Vasconcellos, disse ontem, através da sua assessoria de comunicação, que a empresa jamais deixará de atender a um chamado do governo. Isso não significa, no entanto, que esteja disposta a reduzir suas tarifas.
A Econorte, que opera praças de pedágio na região Norte, tem uma postura semelhante. O presidente da empresa, Gustavo Mussnich, diz que ''com toda a certeza a empresa vai atender o chamado do governador e jamais se furtará a ouví-lo''. Ele disse ainda que o contrato possui algumas ferramentas que o tornam flexível dentro de alguns parâmetros.
Em outras palavras, isso significa dizer que reduzindo o valor dos investimentos, é possível reduzir também o valor da tarifa. Existe disposição das concessionárias para essa negociação, desde que seja respeitado o equilíbrio financeiro do contrato.
A prova de que essas ferramentas existem está na própria atuação do atual governo. Quando foi feita a redução da tarifa, houve uma revisão do cronograma de obras. E quando o valor da tarifa foi recomposto, os contratos recuperaram seu equilíbrio financeiro.
A Viapar, que opera cerca de 470 quilômetros de rodovias, de Cambé a Paranavaí, passando por Maringá, e desta cidade até Cascavel, prefere não se pronunciar sobre o assunto. A assessoria de imprensa da empresa, no entanto, salienta que existe um contrato em vigor, que prevê direitos e deveres para a empresa, e que esse contrato precisa ser respeitado.
A Ecovia, que administra o trecho da BR-277 entre Curitiba e o Litoral, informou que só vai se pronunciar através da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR). A Rodovia das Cataratas, responsável pela administração da BR-277 entre Guarapuava e Foz do Iguaçu, deve se pronunciar hoje sobre o assunto.
A assessoria de comunicação da Caminhos do Paraná, responsável pelas praças distribuídas entre os municípios de Guarapuava, Irati, Porto Amazonas e Imbituva, não retornou aos recados deixados pela reportagem.
No dia 1º de dezembro, um mês antes da posse de Requião, está previsto um aumento no preço das tarifas. O aumento, que seria de 11%, é automático e está previsto no contrato feito entre o Estado e as concessionárias. O vice-governador eleito Orlando Pessuti (PMDB) admitiu ser difícil impedir este aumento, mas que iria apelar para as concessionários que não implantassem a nova tarifa neste momento.
Hoje um caminhão de cinco eixos que sai de Foz do Iguaçu em direção a Paranaguá, passa por dez praças e gasta R$ 173,00 só num sentido. Se o aumento se confirmar na casa dos 11%, o custo passará para R$ 192,00. Se esse mesmo caminhão estiver carregado de milho, serão necessárias 12 sacas para pagar o pedágio.
Já um carro de passeio que saia de Londrina em direção ao Litoral gasta hoje R$ 50,40 para ir e voltar. Com o aumento, passará a pagar cerca de R$ 55,00, ou seja, aproximadamente R$ 5,50 a mais.


