Curitiba - As concessionárias que tiveram suas praças de pedágio ocupadas por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na semana passada irão entrar com uma ação contra o governo do Estado para recuperar os prejuízos causados pela invasão. Para as concessionárias, os danos aos equipamentos das praças só ocorreram devido à demora deliberada do governo Roberto Requião (PMDB) em expulsar os sem-terra dos postos de pedágio.
No total, 14 praças das concessionárias Ecovia, Econorte, Rodonorte e Viapar foram invadidas pelo MST em protesto contra o reajuste das tarifas entre quarta-feira e sexta-feira, qunado o reajuste foi suspenso pela Justiça. Em algumas delas, houve depredações. Os equipamentos da praça de Tibagi, controlada pela Rodonorte, foram destruídos pelos sem-terra. As praças de Mauá da Serra e Imbaú, também da Rodonorte, também tiveram computadores destruídos. Em várias das praças as câmeras de vídeo tiveram seus cabos cortados para dificultar a identificação dos sem-terra.
Além dos prejuízos com equipamentos, as concessionárias também pretendem exigir do Estado a indenização pelos dias em que foram impedidas de cobrar as tarifas mais altas. Segundo o presidente regional da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), João Chiminazzo Neto, as concessionárias devem divulgar até amanhã o total de prejuízos acumulados.
Chiminazzo afirmou que as concessionárias não pretendem mover ações contra os sem-terra. ''O MST atuou apenas como um instrumento do Estado para forçar essa situação. Foi o Estado que se recusou a cumprir as reintegrações de posse, que foram emitidas com rapidez por todos os juízes quando as invasões começaram'', afirmou. A Folha tentou contato com o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, para comentar a afirmação de Chiminazzo, mas não obteve retorno.
Chiminazzo afirmou também que as concessionárias irão entrar com uma ação no Tribunal Regional Federal (TRF) de Porto Alegre para tentar alterar o despacho da desembargadora Marga Tessler, que suspendeu o reajuste. ''Os advogados ainda estão estudando como elaborar a ação, mas vamos buscar o direito ao reajuste previsto no contrato'', afirmou Chiminazzo.

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