Concessionária nega redução de tarifa
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sexta-feira, 28 de novembro de 2003
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O anúncio de que uma concessionária de pedágio já teria concordado em baixar o preço de suas tarifas, feito pelo assessor jurídico do governo estadual Pedro Henrique Xavier anteontem, trouxe um novo ingrediente à queda de braço travada entre governo e empresas. Enquanto a disputa pelo valor das tarifas não chega às vias judiciais, os dois lados travam uma verdadeira guerra de informações para justificar suas posições perante à opinião pública.
De acordo com Xavier, uma das concessionárias, cujo nome não foi revelado, teria concordado em abrir mão do reajuste de 15,34% previsto em contrato e abaixar suas tarifas em troca da dispensa da realização de investimentos nas rodovias. Nos bastidores, especula-se que a empresa seria a Caminhos do Paraná, que estaria em estágio de negociações mais adiantados com o governo. A assessoria de imprensa da concessionária, porém, informou que a direção da empresa não iria comentar o assunto.
O diretor estadual da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), João Chiminazzo Neto, negou ontem que qualquer empresa tenha fechado um acordo com o governo. ''Essa pode ser mais uma das tantas manobras que o governo está fazendo para confundir a opinião pública. A Caminhos do Paraná, como outras concessionárias, estão conversando sobre o assunto, mas nenhuma bateu o martelo. Haviam propostas que estavam praticamente fechadas, mas a realização da auditoria nas empresas por parte do governo dificultou as negociações'', afirmou Chiminazzo.
O presidente da ABCR destacou dois fatores que devem fazer com que as empresas insistam em reajustar, a partir do próximo dia 1º, as tarifas a despeito da pressão do governo. ''Em primeiro lugar, eu acho difícil que uma concessionária possa abrir mão do reajuste, que vem cobrir as despesas já realizadas ao longo do ano com investimentos e insumos. Além disso, há uma pressão dos grupos de acionistas, que em alguns casos são estrangeiros, para que seja cumprido o que está previsto em contrato'', lembrou Chiminazzo.
A ABCR divulgou ontem a posição do vice-governador do Rio Grande do Sul, Antônio Carlos Hohlfeldt (PSDB), que criticou a decisão do governador Roberto Requião (PMDB), que ameaça realizar uma intervenção no sistema de pedágio caso a tarifa suba. As declarações foram dadas no 3º Congresso Brasileiro de Concessões de Rodovias. Hohlfeldt defendeu que a população pode ser prejudicada quando contratos públicos são alterados pelo governo de maneira abrupta. ''Contrato firmado, a gente cumpre. Se entendermos que os termos têm de ser negociados, vamos chamar o outro lado para conversar'', disse o vice-governador gaúcho. (Com Agência Estado)


