Brasília - O estudo mostra que o Estado brasileiro é muito generoso na hora de conceder benefícios para seus dirigentes. Só na Colômbia os servidores recebem mais benefícios. ''No setor privado, muitas empresas optam por conceder mais benefícios para seus funcionários, como forma de tornar mais flexível a remuneração e reduzir os encargos; é uma prática legítima'', diz Nelson Marconi. ''Mas, no setor público, trata-se de uma maneira de disfarçar aumentos nos salários dos servidores. Como existe uma resistência da opinião pública, que se opõe a reajustes para os servidores, eles acabam elevando seus salários por meio de benefícios, menos visíveis.''
O estudo, elaborado para o Congresso Latino-Americano de Administração para o Desenvolvimento (Clad), uma instituição independente sediada na Venezuela, comparou os salários dos servidores de diversos países, ajustados por paridade de poder de compra (PPP), que nivela os salários de acordo com o custo de vida dos países. Segundo Marconi, o ideal seria avaliar esses benefícios e incorporar ao salário base somente aqueles que forem considerados razoáveis. ''É mais ético elevar o salário direto, quando necessário'', diz Marconi, que foi diretor de Carreiras e Remuneração do Ministério da Administração de 1996 a 1999, na gestão Bresser Pereira. (P.C.M.)

mockup