O Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária), com sede em São Paulo, determinou ontem que o governo do Paraná altere o teor da peça publicitária que trata da técnica agrícola do café adensado, transmitida em cadeia estadual de rádio e tevê até a semana passada. Por unanimidade de votos, os 12 conselheiros do Conar decidiram também pela suspensão da propaganda, que só poderá voltar a ser veiculada com nova ‘roupagem’.
Os conselheiros acataram os argumentos do pedido de suspensão protocolado por Luiz Claudio Romanelli (PMDB), no último dia 22 de julho. O deputado estadual acusa a equipe do governador Jaime Lerner (PFL) de veicular ‘‘propaganda enganosa’’. Na peça publicitária, o governo fala do adensamento como solução para melhorar a produtividade e sugere ainda que nos governos do PMDB, subliminarmente no de Roberto Requião (PMDB), houve um abandono da cultura cafeeira no Estado.
Romanelli vai mais longe e diz que a técnica do café adensado foi ‘‘plagiado’’ pelo atual governo e reclama a ‘paternidade’ para o PMDB. Segundo ele, em 92, no início do governo Requião, já havia um plano integrado para a revitalização da cultura. ‘‘Eles alegam que em 95 a safra caiu, mas omitem a informação de que houve uma das geadas mais fortes no Paranᒒ, argumenta.
O deputado está disposto a ‘correr atrás’ do prejuízo que a demora da decisão provocou. O governo não exibe mais a propaganda, ficando inócua assim qualquer tentativa de suspensão. ‘‘Vou pedir direito de resposta com base nesta decisão do Conar’’, promete.
O Palácio Iguaçu não quis comentar a decisão do Conar ontem sem antes conhecer o conteúdo do acórdão do despacho, que deve chegar ao Paraná somente no início da semana que vem. A PGE (Procuradoria Geral do Estado) é a responsável pela defesa do governo nesses casos. Há um entendimento jurídico entre alguns procuradores de que não cabe direito de resposta em propaganda oficial.

mockup