Conamp questiona uso da TV Educativa
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sexta-feira, 09 de novembro de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) ingressou com uma representação no Ministério Público (MP) federal contra o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), por conta do suposto uso indevido da TV Paraná Educativa com finalidade política.
A representação tomou como base as agressões verbais de Requião a membros do MP do Paraná. Já foram solicitadas cópias de toda a programação da emissora nos dias 28 de agosto, 4, 11 e 18 de setembro. Nestas datas, Requião teria acusado o MP de ter salários abusivos, de ter se utilizado de expediente suspeito fazendo acordos com o governo anterior (de Jaime Lerner) nos últimos dias de mandato e de ter enviado processos irregulares de aposentadoria de promotores e procuradores para a ParanaPrevidência.
O governador usou termos pesados contra os procuradores. Requião chamou o MP do Paraná de principado e disse que os funcionários da instituição eram os verdadeiros ''nepotes'' (ou seja, privilegiados) do Paraná.
O caso chegou até a Conamp através da Associação Paranaense do Ministério Público, que apresentou fitas cassetes com trechos em áudio das palavras usadas pelo governador contra a instituição.
A presidente da associação paranaense, Maria Teresa Uille Gomes, mostrou as fitas durante o Congresso Nacional do MP, na Bahia. O presidente da Conamp, José Carlos Cosenzo, apontou que o uso indevido da TV Educativa pode se configurar como uma conduta criminosa e gerar processos por improbidade administrativa.
A representação foi assinada pelo ex-procurador-geral da República, Aristides Junqueira - o mesmo que pediu o impeachment de Fernando Collor de Mello por corrupção e tráfico de influência. O MP federal está analisando a representação da Conamp. Após verificar a veracidade das informações, decidirá se abre processo ou se arquiva a representação. Em carta aberta, a Conamp informa que vai apoiar integralmente a Procuradoria Geral de Justiça do Paraná.
O governador Requião abriu fogo contra o MP do Paraná após a ação civil pública que acusava o governo de nepotismo e pedia a demissão de todos os parentes até terceiro grau de Requião, do vice-governador e de secretários que trabalhassem em todas as esferas governamentais.
A Chefia da Casa Civil informou ontem que o secretário Rafael Iatauro não comentaria a iniciativa. Na TV Educativa, a informação é que Marcos Batista (presidente da emissora) estava em reuniões e retornaria as ligações. Airton Pisseti, secretário de Estado de Comunicação Social, estava em viagem e retornará ao Paraná apenas na segunda-feira.


