Segundo informações da Secretaria de Educação do Paraná, atualmente existem no Estado 23 escolas públicas com o nome Castelo Branco, o primeiro presidente da ditadura militar: 14 são estaduais e nove municipais. Outros três presidentes do período são homenageados com a utilização de seus nomes em escolas públicas paranaenses: Costa e Silva (nome de seis colégios estaduais e sete municipais), Emílio Garrastazu Médici (seis municipais) e Ernesto Geisel (um municipal).
O Colégio Estadual Marechal Costa e Silva, de Cidade Gaúcha (Região Metropolitana de Umuarama), homenageia em seu nome o segundo presidente do regime militar, que governou entre 1967 e 1969 e promulgou o Ato Institucional nº 5 (AI-5). A escola, única estadual do município, tem aproximadamente 1,3 mil alunos de Ensino Fundamental e Médio e carrega o nome do ex-presidente desde sua criação, em 1976, ainda durante a ditadura.
O diretor do colégio, Antonio de Araújo, relata que desde que assumiu a direção, em 2006, já foi questionado algumas vezes sobre o nome do colégio. "Mas nunca fomos verificar como seria o processo para mudar o nome", explica. Araújo aponta que "particularmente" se sente incomodado com o nome, mas a homenagem não parece perturbar a comunidade escolar. "Por parte dos alunos, nunca tivemos conversas sobre isso, e da comunidade, também não."
Em Londrina, a Avenida Castelo Branco, uma das mais importantes da cidade, tem na rotatória em que se inicia a via uma estátua do ex-presidente militar. Mas a comunidade local não parece se importar com o significado das duas homenagens.
"Aqui na escola nunca ouvi ninguém falando sobre isso", diz Alessandra Marchi, professora de uma escola de idiomas localizada na avenida desde 1999. Ela acredita que novas homenagens a personagens da ditadura deveriam ser proibidas, mas a mudança das que já existem poderia provocar transtornos.
"Para estabelecimentos comerciais, que são a maioria aqui na avenida, haveria problema, com fornecedores, correspondência, por exemplo", explica. Por ser uma via municipal, a Castelo Branco não seria abrangida pela lei sugerida pelo deputado Professor Lemos. (F.G.)

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