BRASÍLIA - Apesar das dificuldades orçamentárias, o segundo ano de atuação do Comunidade Solidária conseguiu reunir resultados animadores, na avaliação da direção do programa. ‘‘A estrutura do governo e do Comunidade Solidária está mais azeitada’’, afirma a secretária-executiva do programa Anna Peliano.
Durante o ano passado, o Conselho do Comunidade Solidária, que reúne 21 personalidades, teve três baixas, que só deverão ser preenchidas em fevereiro. A mais expressiva foi de Herbert de Souza, o Betinho, que no final do primeiro semestre abandonou o Conselho, criticando a política social do governo. O balanço de 1996 só deverá ser publicado no início de março, mas alguns dados já foram levantados:
O Programa de Distribuição Emergencial de Alimentos (Prodea), que usa os estoques de alimentos do governo e por isso não depende de recursos orçamentários, atendeu no ano passado 7,5 milhões de cestas básicas em 1.094 municípios. Em 1994 atendia 525 municípios com três milhões de cestas básicas. Durante todo ano ocorreram 87 denúncias sobre a distribuição das cestas, das quais 43 foram consideradas procedentes. ‘‘É um número bastante baixo num ano eleitoral’’, afirma Anna Peliano.
O Programa de Combate à Desnutrição Infantil atendeu 802 municípios beneficiando 1,2 milhão de crianças e gestantes. Em 1994, apenas 220 prefeituras foram atendidas, o que equivale a 500 mil beneficiários.
O Proger Urbano, voltado à criação de empregos nas cidades, ampliou os financiamentos para pequenos e médios empreendedores de R$ 173 milhões para R$ 284 milhões, utilizando recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Segundo a direção do Comunidade Solidária, gerou 80 mil empregos.
O Plano Nacional de Educação Profissional, do Ministério do Trabalho, qualificou e requalificou cerca de um milhão de trabalhadores.
O Programa de Merenda Escolar garantiu a alimentação de 33 milhões de crianças durante cerca de 160 dias letivos, o que representou um aumento de 60% em relação a 1994.
O programa de transporte escolar em Minas Gerais, que atende 18 mil crianças em 63 municípios do Estado, previa a compra de 230 veículos. Com os mesmos recursos, foram comprados 307 veículos. Dados da Comunidade Solidária apontam que 42% dos alunos retornou à escola em função da existência desse transporte.

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