Compressa na privatização
É justa a preocupação em alterar paradigmas e modificá-los como nesse empenho da equipe de transição em resolvê-los o mais rapidamente possível em parcerias público-privadas. Façamos, no entanto, um exame das nossas experiências nessa área e veremos que, a despeito das expectativas salvacionistas que gerou, o balanço nada tem de bom, como no caso da concessão de aeroportos e mesmo no exemplo mais significativo e consolidado, o do pedágio em que há deformações, bastando um aprofundamento da Lava Jato em cima do tema para que tudo se desmistifique.
Claro que as rentáveis como Copel e Sanepar ficam fora desse alcance na medida em que são trunfos em investimentos públicos. Isso sem falar no espaço que abrem para a classe política com seus salários estratosféricos ditados pelo mercado. Tornar o Tribunal de Contas leigo na função fiscalizatória é mexer no edifício constitucional. Também a ideia de facilitar licenças ambientais é agredir toda a massa crítica erigida em torno da questão ecológica ao longo do tempo: país que testemunha uma tragédia como a de Mariana não pode brincar em serviço.
O Estado está doente há muito tempo, agigantado e ineficiente, compulsivamente autofágico, mas isso não se cura na base da compressa e, ainda, com muita pressa.
Pelo menos a decisão de transferir o debate para as próximas sessões foi um sinal mínimo de racionalidade: há uma experiência nacional e ocorrências regionais que aconselhariam maior prudência. A boa intencão, a de criar melhores condições operacionais ao novo governo de flexibilização e menos formalismo, não pode ser adotada sem a visão dos possíveis efeitos perversos. A emenda, como diz o vulgo, sairia pior que o soneto.

Pressão
O mediato - a possível desistência da Transporte Coletivo Grande Londrina, TCGL, já declarada da licitação municipal - pesa mais do que imediato (reajuste salarial de 6%) na hipótese de greve de motoristas e cobradores, já assumida semana passada por indicativo formal. Ora qualquer alteração salarial, para vigorar imediatamente, mexeria com as tarifas e obrigaria à discussão da validade ou não do sistema já que está sob a ameaça, um tanto quanto dramática, e que parte de alguém, guardadas as proporções, com força equivalente a do grupo Gulin em Curitiba.
O prefeito de Londrina deve ter informações seguras quanto ao sucesso de nova licitação ao colocá-la como segura. Uma das questões que dá segurança a concessionários, tanto do transporte interestadual como intermunicipal , é a existência da frota e os espaços de garagens, oficinas e centrais de compras. Tanto isso é verdade que a regra é a manutenção desse poderio logístico e espacial. O fator locacional tem caracteristica de soberano.

A placa
Agora o tumulto é com a nova placa de motorista. Não se discute a sua estética, mas o chio é generalizado em relação à novidade. A pressão é para um adiamento significativo na adoção.

Arruda
João Arruda, sobrinho do senador Requião, é o novo presidente do MDB, já anteriormente configurado em sua candidatura governamental. Arruda teve bom desempenho com deputado federal e pretende deslocar-se a todos os diretórios municipais no intento de desenvolvê-los e ajustá-los à mesma causa. A preocupação é com o pleito municipal e, é claro, nele Curitiba e as principais cidades constituem desafios especiais.
Não espantaria que Roberto Requião se dispuzesse a disputar a prefeitura da Capital, retomando a força clássica de sua carreira quando venceu Jaime Lerner em 1985 e vinha do posto de deputado estadual e contava com aliança fortíssima. Ao longo do tempo brigou com todos que o ajudaram a eleger-se e essa recomposição é dramática para dizer o mínimo.


Fraquinho
A economia brasileira entrou no quarto trimestre em ritmo decepcionante tanto no comércio como na indústria e serviços. Construção civil, por exemplo, caiu 30% em quatro anos e os especialistas admitem que só se recuperará em 2015. Recuos previstos de 2,4% neste exercício e de 1% em 2019.

Perfil construtivo
Um levantamento de duas décadas do perfil e localização das construções imobiliárias da Capital feita pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba tende a mudar drasticamente com as mais recentes inovações do Plano Diretor inclusive a que permite o adensamento das edificações nos bairros pela fixação de novos gabaritos. O nível dominante, segundo críticos, é do caixote em que os fundamentos econômicos predominam e que não faz jus aos nossos quadros de arquitetos, muitos deles ganhadores de prêmios nacionais e internacionais.

Folclore
Parceria púbico-privada mais comum é a do contribuinte que despende uma fortuna em tributos e não recebe em troca os serviços prometidos. Estatais que amparam mais os seus acionitsas do que os usuários precisam ser melhor olhadas.

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