O ex-prefeito de Londrina Barbosa Neto (PDT) e aliados políticos de seu governo são réus em ação de improbidade administrativa ajuizada ontem pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. O caso envolve a compra de vereadores para votar contra a abertura na Câmara da Comissão Processante (CP) da Centronic, que acabaria resultando na cassação do mandato de Barbosa, em julho de 2012.
Os promotores que assinam a ação – Renato de Lima Castro e Leila Schimiti – não foram localizados ontem. O Ministério Público (MP) não divulgou cópia e tampouco os nomes dos réus, mas eles seriam os mesmos de denúncia que tramita desde 2012 na 3ª Vara Criminal: o ex-presidente da Sercomtel Roberto Coutinho Mendes, o ex-diretor de Participações da telefônica Alysson Tobias de Carvalho, o ex-chefe de Gabinete Rogério Lopes Ortega, o ex-secretário de Governo Marco Cito, o ex-vereador Eloir Valença e chef de cozinha Ludovico Bonato. Barbosa não responde a ação criminal.
Segundo a assessoria de imprensa do MP, na ação por improbidade, os réus "são acusados de participação em um esquema para angariar apoio político de vereadores, em regra filiados a partidos de oposição, mediante o pagamento de vantagem patrimonial indevida".
Em 24 de abril de 2012, Bonato e Cito foram presos em flagrante após entregarem R$ 20 mil ao então vereador Amauri Cardoso (PSDB). O dinheiro seria para ele votar contra a abertura da CP. Logo que começou a ser assediado pelos aliados de Barbosa, Cardoso procurou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que monitorava os réus.
Uma semana depois, em 1º de maio, o Gaeco prendeu outros três aliados (Coutinho não chegou a ser preso). Eloyr, que era favorável à abertura da CP, em razão de promessa de apoio à futura campanha eleitoral pelos aliados do ex-prefeito, teria mudado de posição. Já Coutinho teria emprestado R$ 5 mil para o pagamento da propina a Cardoso. Alysson e Rogério Ortega atuavam cooptando os parlamentares.
Na ação, o MP pede que os réus sejam condenados às penas previstas na Lei de Improbidade Administrativa: perda da função pública, suspensão dos direitos políticos, pagamento de multa civil e proibição de contratar com o poder público, além de pagamento de indenização por danos morais.
Esta é a décima ação por improbidade em que Barbosa figura como réu por irregularidades em seu governo (2009-2012). Em audiências na 3ª Vara Criminal, os réus negaram o esquema. Barbosa não foi localizado ontem. (Colaborou Luís Fernando Wiltemburg)

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