Compra de notebooks pode virar CPI
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sexta-feira, 25 de novembro de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Foi protocolado ontem na Câmara de Vereadores de Maringá (Noroeste do Estado), ao final da sessão ordinária, o pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a compra de dois tripés e de 20 notebooks para a Casa.
O documento foi assinado pelos vereadores Marly Martin (PFL), Humberto Henrique e Mário Verri (PT), Valter Viana (PHS) e Umberto Becker (PPS), com previsão de ir a votação já na sessão da próxima terça-feira. Para ser aprovada, a matéria precisa do voto de oito dos 15 parlamentares.
O pedido de abertura de CPI pega carona nas investigações em andamento do Ministério Público (MP) e do Tribunal de Contas (TC) do Estado. Ambas as instituições analisam se houve irregularidade no processo de aquisição dos computadores portáteis comprados pelo valor unitário de R$ 10.980 e dos tripés para filmadoras cada um, R$ 7.493 na licitação aberta em fevereiro, por determinação do presidente, vereador João Alves Correa (PMDB). Porém, só mês passado os vereadores souberam que receberiam os novos equipamentos.
Em entrevista à reportagem esta semana, o promotor de Defesa do Patrimônio Público de Maringá, José Aparecido da Cruz, afirmou haver ''fortes indícios de superfaturamento'' no maquinário, hipótese negada por Correa. Segundo o parlamentar, não houve qualquer irregularidade no processo.
Uma pesquisa feita ontem pela Folha com três empresas de Londrina mostra que o preço dos laptops na cidade é bem mais em conta que o adquirido na licitação de Maringá vencida, via tomada de preço, por uma empresa de lá. A configuração com processador Pentium 4 de 2.8 GHz, HD de 60 GB e memória Ram de 520 MB, da Itautec, foi encontrada na loja de um shopping pelo preço de R$ 5.280. Segundo o consultor de vendas Alex Cereza, o modelo em questão já saiu de linha há cerca de dois meses. Em outro estabelecimento, laptop semelhante, mas com processador mais moderno, é vendido a R$ 5.889 no varejo e no atacado. O mesmo preço é divulgado pela própria Itautec, no 0800 de vendas ao cliente.
Para o procurador jurídico da Câmara maringaense, Orwille Morib, cujo setor também vai receber um dos notebooks, o preço está dentro da realidade de mercado. ''É que temos que ter um dispositivo de localização dessas máquinas para o caso de serem furtadas ou roubadas; é a chamada garantia estendida. E isso equivale, por mês, entre 3% e 5% do valor de cada uma delas. Ainda é mais barato que fazer um seguro'', avaliou.


