COMPRA DE DOSSIÊ - PF cogita desvendar origem de dólares antes da eleição
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quarta-feira, 27 de setembro de 2006
Andreza Matais<br>Folhapress 
Brasília - A descoberta do banco que recebeu parte dos dólares que seriam usados pelo PT para comprar um dossiê contra tucanos pode agilizar as investigações sobre a origem do dinheiro. Fontes da Polícia Federal não descartam concluir esta parte da investigação até as eleições. A PF já sabe que US$ 110 mil do dossiê tucano saíram de Miami para o banco Sofisa, em São Paulo.
A avaliação de pessoas que trabalham nas investigações sobre o dossiê é que a PF está muito próxima de descobrir quem sacou os dólares para o PT. A PF trabalha com a hipótese de ter sido um laranja. Para que a investigação avance, no entanto, é preciso que a Justiça determine que o banco Sofisa, de São Paulo, que recebeu parte dos dólares, informe para quem vendeu o montante. Para que o banco seja obrigado a revelar para quem vendeu os dólares, no entanto, a PF precisa de autorização da Justiça. O delegado responsável pelo caso, Diógenes Curado, deveria pedir ainda ontem à Justiça autorização para fazer a solicitação.
O banco estaria dificultando a investigação. No entendimento da PF, a informação sobre para qual corretora os dólares foram vendidos não é sigilosa, mas o Sofisa já teria informado que só irá revelar o dado se houver determinação da Justiça.
A maior dificuldade continua sendo sobre os reais encontrados com Gedimar Passos e Valdebran Padilha - os dois ligados ao PT - e que seriam usados para comprar um dossiê ligando os tucanos Geraldo Alckmin e José Serra à máfia dos sanguessugas. A PF não descarta a hipótese de o dinheiro - tanto os dólares quanto os reais - serem de caixa 2. Embora pelo menos parte dos dólares tenha entrado de forma legal no país, o valor pode ser fruto de uma ilegalidade.
A PF também avançou na investigação sobre os dólares e descobriu que dos US$ 248 mil utilizados pelo PT como parte do dinheiro para comprar um dossiê contra políticos tucanos, US$ 138 mil podem ter entrado no Brasil de forma ilegal. Anteontem, a informação era que todo o dinheiro teria saído de Miami para o banco Sofisa, mas agora sabe-se que pode ter sido apenas US$ 110 mil. Sobre o restante a PF não tem informações de onde veio o dinheiro porque as notas não estavam seriadas nem com tarjas. Não se descarta a hipótese, portanto, de o valor ter entrado no Brasil de forma ilegal.
Para tentar rastrear os dólares, a PF irá fechar o cerco em torno de dez corretoras de valores e agências de turismo que teriam comprado os US$ 110 mil do banco Sofisa. Fontes da PF informaram que ao identificar o comprador, não será difícil também chegar a origem do restante dos dólares apreendidos.
O dinheiro estava com Valdebran Padilha e Gedimar Passos que a mando do PT comprariam um dossiê da família Vedoin para tentar relacionar os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin ao escândalo da máfia das ambulâncias. No total seriam usados R$ 1,7 milhão.
O banco Sofisa informou em nota oficial que todas as operações com moeda estrangeira realizadas pelo banco são registradas no Banco Central e identificadas obedecendo todas as prescrições legais. ''Tais recursos são transacionados com outras instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central'', diz nota do banco.


