Curitiba - A compra de debêntures das concessionárias de pedágio abriu uma crise na Fundação Copel, que administra os recursos previdenciários dos funcionários da estatal. Furioso com a transação, o governador Roberto Requião (PMDB) mandou demitir a diretoria da entidade que comprou as debêntures das concessionárias. Mas por conta da legislação que impede a intervenção direta do governador, ao presidente da Copel, Paulo Pimentel, restou pedir a renúncia coletiva dos diretores da entidade, o que não havia se consumado até o fechamento desta edição.
Segundo Requião, a Fundação Copel comprou R$ 100 milhões em debêntures de ''empresas falidas'' e outros R$ 60 milhões em debêntures das concessionárias de pedágio do Paraná. ''Isso significa que ainda não exterminamos a corrupção no governo'', afirmou durante reunião com seu secretariado. O governador determinou a Pimentel uma ''faxina geral'' na diretoria da fundação.
Os diretores da Fundação Copel foram indicados pelo Conselho Deliberativo da estatal, que precisa se reunir e concordar com a demissão. Caso contrário, não pode haver destituição da diretoria por interferência direta do governador. ''Mas acredito que dificilmente os diretores vão aguentar a pressão do governador'', disse um assessor do governo ontem à Folha.
A Fundação Copel tem um patrimônio de R$ 2,5 bilhões e administra contribuições previdenciárias e fundo de saúde de 12,5 mil funcionários da ativa, aposentados e pensionistas.
O diretor-presidente da entidade, Othon Mader Ribas; o diretor financeiro, Paulo Henrique de Almeida; e o diretor de administração e seguridade, Pantaleão Muniz da Silva, tentavam mostrar tranquilidade argumentando que nada fizeram de errado na condução dos investimentos da entidade. Até o final da tarde não haviam sido comunicados do pedido de renúncia coletiva, solicitado por Pimentel.
Os diretores assumiram que compraram debêntures das concessionárias de pedágio, mas em valores menores que o anunciado pelo governador. Segundo Ribas, foram R$ 16 milhões em debêntures, sendo R$ 8 milhões da concessionária Rodonorte e R$ 8 milhões da Ecovia. Segundo o presidente da Fundação Copel, esses papéis foram comprados no mercado secundário com a recomendação de que as empresas apresentam ''risco baixíssimo''.
Ribas também não assumiu a compra de R$ 100 milhões em debêntures em ''empresas falidas''. Em entrevista a Folha, Ribas afirmou que a Fundação comprou R$ 30 milhões em debêntures da Universidade Luterana do Brasil (UBRA), com sede em Canoas, no Rio Grande do Sul, entidade que tem mais de 80 mil alunos. Na tentativa de tranquilizar os funcionários da Copel, Ribas disse que todos os investimentos tiveram orientação técnica e não há inadimplência no pagamento dos juros das debêntures.

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