Dois dias depois da imprensa divulgar a compra de aparelhos celulares e a implantação de uma cota de R$ 300 mensais para pagar a conta de telefonia móvel dos vereadores, a adesão ao novo benefício caiu mais da metade. Segundo o presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), 16 dos 18 vereadores haviam assinado um ofício requerendo a nova linha. No entanto, ontem, apenas sete confirmaram que irão aderir ao plano empresarial que estaria sendo negociado com a Sercomtel. O novo benefício custaria cerca de R$ 5 mil por mês à Câmara.
Quando os vereadores foram consultados pela Mesa Diretiva, Tercílio Turini (PPS) e Roberto Fu (PDT) recusaram a oferta. Ontem, Renato Araújo (PP), Henrique Barros (PMDB), Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) e Paulo Arildo (PPS), também anunciaram que não aceitarão os aparelhos e as cotas. ''Era favorável mas reavaliei e decidi que não vou pegar (o celular)'', justificou Paulo Arildo. Hoje, além do salário bruto de R$ 5,7 mil, e os R$ 4,8 mil para assessores, cada vereador tem direito a gastar até R$ 300 com o telefone do gabinete, R$ 300 com Correios e mil cópias por mês. ''O meu aparelho é melhor que esse que vão dar'', justificou Barros. ''O meu celular pago eu'', afirmou Araújo. Tamarozzi argumentou que a concessão da cota do celular não foi debatida com os vereadores. ''Em setembro assinamos um documento para que a Câmara iniciasse as negociações para adesão em um plano empresarial. Só na terça-feira passada fomos avisados da verba do celular e que era para escolher um número. Assim não quero'', disse.
Além de Bonilha, defendem o novo benefício Jamil Janene (PL), Gláudio de Lima (PT), Maria Angela Santini (PT), Renato Lemes (PL), Sandra Graça (sem partido) e Marcelo Belinati (PP). ''Acho que vai ser uma economia para a Casa se usarmos o celular para ligações para celulares do gabinete. Sai muito mais barato do que ligar do fixo para o celular'', defendeu Jamil. ''Vou usar (o aparelho e a cota). O meu gasto é muito alto'', justificou Lemes. ''Pego sem medo nenhum. Toda e qualquer concessão lícita e pública não me assusta'', rebateu Sandra.
Bonilha criticou os colegas que segundo ele teriam mudado de opinião. ''Tenho um ofício assinado por 16 vereadores solicitando as cotas. Eu não vou voltar atrás. Agora, se as pessoas assinam um documento e voltam atrás, isso muito me estranha'', atacou. ''Tem o custo, mas tem o benefício também. Tem gente que acha que vereador ganha muito, mas tem vereador aqui que não consegue levar nem alimentação para dentro de casa'', argumentou Bonilha.

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