Brasília - A montagem da equipe ministerial pôs em prática, pela primeira vez, o projeto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de concretizar a coalizão entre os partidos de sua base de sustentação do Congresso, com atenção especial para o PMDB. Ao entregar cinco ministérios para o partido, Lula mira diretamente nas eleições de 2010. Em conversas com aliados, o presidente não tem descartado a possibilidade de apoiar um candidato à sucessão que não pertença aos quadros do PT.
Lula também acha que, se o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) conseguir reverter os medíocres índices de crescimento que a economia brasileira tem apresentado nos últimos anos, será possível eleger qualquer candidato que represente a aliança de governo. ''Se o PAC der certo, a coalizão vai eleger o próximo presidente'', repetiu Lula em duas das últimas três reuniões do seu Conselho Político, formado pelos dirigentes dos partidos aliados.
O interesse de Lula pelo PMDB não é casual. O partido é o dono das maiores bancadas de parlamentares do Congresso. Tem 9 dos 27 governadores do País e sua estrutura política regional tem uma capilaridade muito maior que a do PT.
O lançamento de um candidato peemedebista representaria um passo adiante em relação à fórmula adotada por Lula nas duas últimas eleições, quando o presidente fez questão de ter na sua chapa um nome com maior apelo junto aos eleitores conservadores, caso do vice-presidente José Alencar, grande empresário da área têxtil.
Até mesmo setores importantes do PT admitem a possibilidade de uma chapa de coalizão vingar para as eleições de 2010 tendo outro partido como cabeça de chapa. O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu reconheceu a hipótese na semana passada, durante sua participação no encontro da seção do Centro-Oeste do Campo Majoritário.
Não significa, porém, que o PT tenha desistido de lançar um candidato à sucessão de Lula. O problema é que, nos últimos tempos, nem sempre o que partido quer representa o pensamento do presidente. Dirigentes petistas, especialmente da ala paulista, não escondem sua insatisfação, por exemplo, com o espaço destinado por Lula para os representantes da legenda.
O consolo dos petistas é que o PMDB também não tem ainda um candidato visível que possa ser escolhido por Lula para sucedê-lo. O nome mais óbvio até agora é o do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, que se tornou grande aliado e amigo do presidente.
Dentro do PT, existe a desconfiança que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), possa vir a migrar para o PMDB caso não consiga espaço em seu partido para concorrer à sucessão presidencial. Absoluto na política mineira e cumprindo seu segundo mandato como governador, Aécio se tornaria um candidato presidencial de grande força se vier a receber também o apoio de Lula e do PT. Mas toda vez em que é perguntado sobre essa hipótese, o governador rechaça a idéia.

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