Composição da Mesa movimenta os bastidores
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de novembro de 2004
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
O discurso de independência do Legislativo em relação ao Executivo deu o tom, ontem, à primeira sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Londrina após o resultado do segundo do turno. Dos 18 vereadores eleitos para a próxima Legislatura, pelo menos 12 declararam apoio à reeleição do prefeito Nedson Micheleti (PT), que derrotou Antonio Belinati (PSL). Nos bastidores já começou a disputa pelos cinco cargos da Mesa Executiva da Casa, cujo topo é ocupado hoje pelo vereador Orlando Bonilha (PL).
Ex-presidente da Casa no atual mandato e atual presidente local do PSDB, o vereador Tercílio Turini foi um dos tucanos que declarou apoio ao petista na segunda etapa do pleito. De acordo com ele, as conversações já tomaram corpo e devem se acirrar a partir de dezembro. ''Alguns companheiros já demonstraram interesse pela Mesa, o que é normal'', avaliou. Quanto às relações do novo Legislativo com a Prefeitura, Turini acredita que elas não devam se alterar na comparação com o que ocorre hoje até pela baixa renovação dos membros, um terço. ''Não existem grandes alterações, até porque o Nedson ainda nem definiu a composição do secretariado'', afirmou, para completar: a Câmara tem que ser independente, os projetos têm que ser vencidos com convencimento, não por causa de uma base. A eleição não muda isso'', definiu.
Turini negou boatos de que ele possa ser indicado como novo secretário municipal de Saúde, cargo hoje ocupado por Sílvio Fernandes. ''São especulações. Minha disposição inicial é ser vereador'', garantiu.
Já preocupado com o futuro secretariado de Nedson o qual, segundo o prefeito, deve ser definido só mês que vem , o vereador Sidney de Souza (PTB) defendeu que nem todos os atuais secretários se adaptaram às respectivas funções. Na opinião dele, isso seria o motivo para que, desde já, os cargos fossem colocados à disposição. ''Como são cargos comissionados, seria de bom tom que fizessem isso'', aconselhou.
Bonilha assegurou que nenhuma conversa em relação à Mesa Executiva deva ser estendida antes do próximo dia 20. Nessa data, os vereadores voltam a discutir o projeto de resolução que adequará o número de comissões permanentes e de membros do Conselho de Ética à resolução que diminuiu o número de vagas de 21 para 18. Mesmo assim, admitiu: já há, hoje, pelo menos quatro pré-candidatos para o lugar dele. ''O que importa agora é só terminar o mandato e discutir projetos polêmicos como o da Sanepar'', desconversou, referindo-se ao projeto que discutirá o gerenciamento e execução dos serviços de água e esgoto na cidade.
Derrotado como vice de Belinati e, portanto, sem a cadeira de vereador a partir de 2005, Carlos Bordin (PP) foi outro a defender a análise do nada-muda mas em relação aos ânimos dele para conclusão do mandato. ''Ano que vem vou me dedicar mais ao meu cursinho, mas tenho propostas do PP e de outros dois partidos para sair para deputado estadual em 2006'', declarou, garantindo que não se arrependeu da disputa perdida. ''Antes de ser político, sou professor''.


