Comportamento de Delúbio irrita membros da CPI
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de agosto de 2005
Rose Ane Silveira<br>Folhapress 
Brasília - A insistência do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares em fugir de responder diretamente às perguntas feitas por integrantes da CPI do Mensalão irritou não só o relator Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), mas boa parte dos integrantes da comissão e acabou gerando um bate-boca entre PT e oposição.
Indignado com o comportamento de Delúbio, o deputado João Fontes (PDT-SE) pediu à Mesa providências para que o ex-tesoureiro respondesse às perguntas. O deputado Eduardo Valverde (PT-RO) disse que depoente estava sofrendo escárnio.
''Olha o batom na cueca deputado. Peça perdão PT. O Brasil espera. Peça perdão, deputado. O PT tem que pedir perdão'', gritou João Fontes durante a discussão com Valverde. A sessão teve que ser suspensa por cinco minutos e, ao retornar, a discussão sobre o comportamento de Delúbio continuou.
A deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP) insistiu para que o presidente da CPI, senador Amir Lando (PMDB-RO), fizesse com que o depoente respondesse. Amir se disse surpreso com o pedido de Zulaiê, já que ela é advogada e sabe que ele não pode obrigar uma testemunha a falar o que não quer.
Em seguida, foi a vez do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) questionar se Delúbio estava sob proteção de habeas corpus. Com a resposta negativa de Lando, Perondi sugeriu a prisão do ex-tesoureiro por desacato.
''Ele não está com habeas corpus, mas não vai preso. Ninguém vai preso aqui. Vamos respeitar a lei'', respondeu o presidente da CPI. Após deixar claro que não haverá pedido de prisão para qualquer depoente da CPI do Mensalão, Lando voltou a pedir a Delúbio que respostas objetivas.
Traidor - Delúbio afirmou que ''não se sente nem traidor nem traído''. Ele disse que não faz parte da sua personalidade questionar opiniões. ''Eu não costumo e não faz parte da minha personalidade delatar ninguém e nem questionar a opinião das pessoas. Podem dizer o que quiser. Não me sinto traidor. Mas aí é a opinião de cada um.''
A declaração foi uma resposta do ex-tesoureiro, que foi indagado sobre a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que se sentiu traído. ''Respeito a opinião do presidente como fiel seguidor. Não questiono. A vida nos ensina.''
Sobre as remessas feitas para o exterior pelo publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza para o pagamento de contas do PT, em especial do débito do partido com o publicitário Duda Mendonça, Delúbio se limitou a dizer que não tinha conhecimento dos fatos. O ex-dirigente petista negou que tenha orientado o procedimento.


