Complexos náuticos são saqueados
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sábado, 22 de setembro de 2001
Alexandre Palmar<bR> Enviado à Costa Oeste 
Bases náuticas construídas pelo governo do Estado na Costa Oeste (margem paranaense do Lago de Itaipu) estão abandonadas e parcialmente destruídas. O cenário é reflexo do descaso com a estrutura formada para os Jogos Mundiais da Natureza, além de revelar pouca importância ao empreendimento.
Dos seis complexos náuticos instalados num trecho de 240 quilômetros entre Foz do Iguaçu e Guaíra, três estão esquecidos e dois são subaproveitados esporadicamente graças à iniciativa de prefeituras locais. Apenas uma unidade é explorada com frequência regular, embora todas tenham uma invejável capacidade para abrigar práticas esportivas e de lazer.
As estruturas são formadas por uma edificação principal (espaço com salão de até dois pisos), uma garagem e um atracadouro. Com as construções somadas, cada base tem, em média, 1,9 mil metros quadrados de área construída, em terrenos de até 40 mil metros quadrados.
Sem segurança, a base náutica de Marechal Cândido Rondon é a mais destruída. Sua edificação está com portas e vidros quebrados. A lista de itens roubados é extensa: vasos sanitários, pias de cozinha e de banheiro, botijões de gás, disjuntores de energia, fios de cobre usados na fiação elétrica, portas e lâmpadas. Ela teve ainda telefones públicos e mangueira contra incêndio arrancados e jogados numa antiga garagem, hoje usada como depósito de entulhos.
A unidade de Itaipulândia está com vidros quebrados, rede hidráulica danificada e dezenas de telhas do atracadouro foram arrancadas pelo vento. A situação poderia ser pior caso o pescador Arnaldo Anselmo Pereira, 52 anos, não tivesse assumido extra-oficialmente a segurança do local há um ano e quatro meses. ''Isso é do povo, mas ninguém cuidava. Então, comecei a cuidar daqui em troca de moradia'', disse. A falta de manutenção em Itaipulândia se repete em Guaíra.
Já a base de Foz do Iguaçu, apesar de conservada, não está sendo utilizada para atividades esportivas ou de lazer. Entre as bases subaproveitadas, estão as de Santa Helena e de Entre Rios do Oeste. A primeira é administrada pela prefeitura, por intermédio de um empresa local e usada com frequência para festas. A segunda, pouco aproveitada pelos moradores da região, só continua bem-conservada graças ao trabalho de um segurança da prefeitura.
As prefeituras dos municípios que sediam bases reclamam que não podem ocupá-las porque elas pertencem ao Estado. A Secretaria de Comunicação do governo do Estado informou que deverá ceder as estruturas, possivelmente por meio de comodato, às prefeituras. (Colaborou Valmir Denardin, de Curitiba


