Comparação com Collor desagrada Ciro
Agência Estado
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O doceCiro Gomes (ao fundo) cumprimenta o deputado Luís Roberto Pontes: promessa de realizar campanha sem excitar emoções primáriasO pré-candidato do PPS a presidente e ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes afirmou ontem que terá de domar seu estilo combativo nas referências aos adversários para não ser comparado ao ex-presidente Fernando Collor e mostrar sua diferença do presidente Fernando Henrique.
Ciro disse que não tem dúvida de que haverá segundo turno na disputa pelo Palácio do Planalto. Oficializada a candidatura do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, Ciro acredita que terá de caminhar no fio da navalha para desqualificar o candidato das esquerdas, sem levar a pecha de novo Collor, e ainda marcar as diferenças sutis entre ele e Fernando Henrique, sem bater em nenhum dos adversários.
Farei minha campanha sem excitar emoções primárias porque catalisar o ódio resultaria em crise, afirmou o ex-ministro da Fazenda. Ele avalia que, com Lula, o desafio é crescer na preferência do eleitorado sem o petista baixar o desempenho. Ninguém ouvirá de mim uma crítica a Lula, que não é um adversário, mas um obstáculo a vencer na campanha, disse Ciro. Logo em seguida, porém, deu mostras do quanto será difícil manter esta postura. O Lula é um candidato despreparado; compreender a realidade do País só com o curso primário é fogo, observou.
Ciro Gomes considera baixo o desempenho de Fernando Henrique nas pesquisas sobre a reeleição. Ele só se refere ao presidente como professor Cardoso para se colocar em pé de igualdade com o chefe da Nação na disputa eleitoral. Ele lembra que o professor vem mantendo a média de 35% da preferência do eleitorado, contra os 9% dados a ele e os 22% de Lula. Ciro avalia que a performance de Fernando Henrique sugere a probabilidade do segundo turno. O Menem (Carlos Menem, presidente da Argentina) tinha o dobro da preferência quando começou sua campanha pela reeleição, justificou. Numa demonstração de otimismo quanto às suas chances, indagou: Como é que vai ficar com a exasperação do funcionalismo e dos pensionistas sem reajuste por todo esse tempo?
O sucesso numa campanha em que só contará com a propaganda gratuita no rádio e na televisão por 18 dias não será tarefa fácil, reconhece o candidato do PPS. Se Ciro Gomes não ampliar as alianças antes da eleição, contará com apenas 4 minutos de rádio e tevê para apresentar o projeto em cada um dos 18 dias de propaganda eleitoral. Isto se houver no máximo quatro candidatos a presidente. Sei que vencer não será fácil, mas, sem risco, o melhor seria dar aulas de sociologia porque o problema seria só o de uma eventual alergia ao giz.
Ciro Gomes está viajando por todo o Brasil. O alvo dele, nesta primeira etapa, são as classes mais esclarecidas. Ele vem mantendo reuniões discretas com o empresariado, mas garante que só tem tratado do projeto para o Brasil. Por enquanto, nada de dinheiro para a campanha. O que eu quero é legitimar meu projeto no meio acadêmico.
Ontem, ele apresentou ao PPS, no Senado, os principais pontos das reformas tributária e fiscal que defenderá oficialmente em abril. Ciro Gomes quer substituir os atuais impostos por cinco novos, destinados principalmente a penalizar o consumo para incentivar a poupança interna do País. Pretende ainda extinguir o Imposto de Renda (IR) e, no lugar, tributar os contribuintes com rendimentos e nível de consumo acima de uma faixa que será previamente fixada.





