A diretora administrativo-financeira da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Cristiane Hasegawa, foi afastada do cargo pelo prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT). Segundo nota do Núcleo de Comunicação da prefeitura, o Conselho de Administração da companhia deve referendar o afastamento em reunião na próxima semana. O estatudo da CMTU proíbe que cônjuges façam parte simultaneamente da diretoria executiva da companhia, o que não impediu André Nadai e Cristiane, que vivem em união estável, de ocuparem os cargos de diretora e presidente por mais de um ano.
Em dezembro passado, com base no estatuto da companhia, a FOLHA tratou da possível ilegalidade da permanência do casal na direção da CMTU. Àquela ocasião, a assessora jurídica, Cristel Bared, garantiu que não havia irregularidade no fato, já que os dois são companheiros e não cônjuges. ''Essa orientação jurídica é absurda: não tem assento nem na Constituição nem na jurisprudência'', afirmou o promotor de Justiça Renato de Lima Castro, que retomou há cerca de duas semanas investigação sobre a presença do casal na diretoria da CMTU.
Na semana passada, Barbosa Neto foi convocado para depor, mas permaneceu calado. Ontem pela manhã Nadai compareceu ao MP e também manteve o silêncio, direito garantido pela Constituição para que os investigados não produzam provas contra si mesmos. À tarde, Barbosa anunciou o afastamento. ''A decisão do prefeito reafirma a sua conduta de sempre se pautar pela estrita legalidade. Ele tomou a decisão, por considerar que a questão envolvendo a servidora e o presidente da CMTU está cercada de dúvida jurídica sobre a possibilidade ou não dos mesmos permanecerem nas respectivas diretorias, na condição de companheiros'', afirma o Núcleo de Comunicação.
Em entrevista publicada pela FOLHA em 1º de janeiro deste ano, Barbosa minimizava a gravidade da ligação íntima entre os diretores da CMTU. ''O que que tem? Ela é funcionária de carreira, é uma moça muito competente. Até que se prove o contrário, não há conflito.'' Barbosa afirmou ainda que ''o crime que se tem contra o Nadai é um crime de amor''. ''O pecado que ele cometeu foi ter se apaixonado por uma servidora.''
Barbosa indicou a atual assessora jurídica, Cristel Bared, para ocupar o cargo de Cristiane, nome que deve ser referendado pelo Conselho de Administração na próxima reunião.
O promotor Renato de Lima Castro disse que ainda não avaliou se a saída de Cristiane do cargo inviabiliza uma ação para responsabilizar os envolvidos pelo tempo que a ilegalidade perdurou.

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