Compadre de Lula não convence na CPI
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quinta-feira, 20 de abril de 2006
Rosa Costa<br>Agência Estado 
Brasília - Compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o advogado Roberto Teixeira afirmou ontem na CPI dos Bingos que nunca participou de um suposto esquema de arrecadação de dinheiro nas prefeituras petistas para financiar o caixa dois do partido. Dono da casa onde Lula morou por mais de dez anos de graça, Teixeira foi acusado pelo ex-secretário de Finanças das prefeituras petistas de Campinas e São José dos Campos, Paulo de Tarso Venceslau, de manter ligação com a Consultoria para Empresas e Municípios (Cpem), usada no esquema.
Diante da CPI, para se defender, o advogado apresentou uma certidão assinada pelo então presidente do PT, José Dirceu, em maio de 2000. Em duas laudas, Dirceu rejeitou o relatório da comissão assinado por três figuras expressivas do partido deputado Hélio Bicudo, economista Paul Singer e o deputado José Eduardo Cardozo para defender pela inexistência de qualquer infração ética por parte do filiado Roberto Teixeira.
O argumento da defesa não convenceu a oposição. O senador José Jorge (PFL-PE) lembrou que ao chamar Dirceu de chefe de uma organização criminosa, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, reforçou a tese de que faltou a ele, já naquela ocasião, credibilidade para opinar sobre um típico caso de corrupção. De certa maneira isso tira a credibilidade de tudo o que o senhor Roberto Teixeira disse aqui, argumentou o senador. É difícil acreditar que não estejamos diante de um jogo de cartas marcadas.
Para o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), o depoimento do compadre do Lula terminou confirmando o que Paulo de Tarso havia dito em depoimento à CPI. A certidão exibida aqui pelo doutor Roberto Teixeira tem a assinatura de José Dirceu, só que não dá para acredita que tal fato possa invalidar o trabalho de Hélio Bicudo, Paul Singer e do deputado José Eduardo Cardoso, alegou.
Bem disposto, Roberto Teixeira mostrou-se desinibido no seu depoimento. Ele disse ter orgulho de ser padrinho do filho caçula de Lula e o responsável por ter recorrido à Justiça para mudar o nome de seu compadre, incluindo o Lula depois de sua identificação de batismo. Sobre a casa que cedeu de graça a Lula, disse que fez isso para fugir da legislação da época, que prejudicava o locatário em favor de quem alugava. Mas ninguém perguntou se o risco seria o mesmo se tivesse recebido o pagamento de aluguel de Lula.
Advogado da Transbrasil, Varig e Brasil Telecom, Teixeira não soube se defender da acusação de ter se valido de tráfico de influência por ter sido contratado por estas empresas pouco antes ou depois de Lula ser eleito. Não quero desqualificar o senhor como advogado, mas faço referência às incríveis coincidências que somente a amizade pode justificar, afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). São conexões que nos ajudam a determinadas ilações. Dias mostrou ainda o quanto em foi bem sucedido em processos movidos contra a prefeitura de São Bernardo dos Campos, na época administrada pelo PT.


